sexta-feira, 25 de abril de 2008

A turba do "pega e lincha"

Por CONTARDO CALLIGARIS
Na última sexta-feira, passei duas horas em frente à televisão. Não adiantava zapear: quase todos os canais estavam, ao vivo, diante da delegacia do Carandiru, enquanto o pai da pequena Isabella estava sendo interrogado.
O pano de fundo era uma turba de 200 ou 300 pessoas. Permaneceriam lá, noite adentro, na esperança de jogar uma pedra nos indiciados ou de gritar "assassinos" quando eles aparecessem, pedindo "justiça" e linchamento.
Mais cedo, outros sitiaram a moradia do avô de Isabella, onde estavam o pai e a madrasta da menina. Manifestavam sua raiva a gritos e chutes, a ponto de ser necessário garantir a segurança da casa. Vindos do bairro ou de longe (horas de estrada, para alguns), interrompendo o trabalho ou o descanso, deixando a família, os amigos ou, talvez, a solidão -quem eram? Por que estavam ali? A qual necessidade interna obedeciam sua presença e a truculência de suas vozes?
Os repórteres de televisão sabem que os membros dessas estranhas turbas respondem à câmera de televisão como se fossem atores. Quando nenhum canal está transmitindo, ficam tranqüilos, descansam a voz, o corpo e a alma. Na hora em que, numa câmera, acende-se a luz da gravação, eles pegam fogo.
Há os que querem ser vistos por parentes e amigos do bar, e fazem sinais ou erguem cartazes. Mas, em sua maioria, os membros da turba se animam na hora do "ao vivo" como se fossem "extras", pagos por uma produção de cinema. Qual é o script?
Eles realizam uma cena da qual eles supõem que seja o que nós, em casa, estamos querendo ver. Parecem se sentir investidos na função de carpideiras oficiais: quando a gente olha, eles devem dar evasão às emoções (raiva, desespero, ódio) que nós, mais comedidos, nas salas e nos botecos do país, reprimiríamos comportadamente.
Pelo que sinto e pelo que ouço ao redor de mim, eles estão errados. O espetáculo que eles nos oferecem inspira um horror que rivaliza com o que é produzido pela morte de Isabella.
Resta que eles supõem nossa cumplicidade, contam com ela. Gritam seu ódio na nossa frente para que, todos juntos, constituamos um grande sujeito coletivo que eles representariam: "nós", que não matamos Isabella; "nós", que amamos e respeitamos as crianças -em suma: "nós", que somos diferentes dos assassinos; "nós", que, portanto, vamos linchar os "culpados".
Em parte, a irritação que sinto ao contemplar a turma do "pega e lincha" tem a ver com isto: eles se agitam para me levar na dança com eles, e eu não quero ir.
As turbas servem sempre para a mesma coisa. Os americanos de pequena classe média que, no Sul dos Estados Unidos, no século 19 e no começo do século 20, saíam para linchar negros procuravam só uma certeza: a de eles mesmos não serem negros, ou seja, a certeza de sua diferença social.
O mesmo vale para os alemães que saíram para saquear os comércios dos judeus na Noite de Cristal, ou para os russos ou poloneses que faziam isso pela Europa Oriental afora, cada vez que desse: queriam sobretudo afirmar sua diferença.
Regra sem exceções conhecidas: a vontade exasperada de afirmar sua diferença é própria de quem se sente ameaçado pela similaridade do outro. No caso, os membros da turba gritam sua indignação porque precisam muito proclamar que aquilo não é com eles. Querem linchar porque é o melhor jeito de esquecer que ontem sacudiram seu bebê para que parasse de chorar, até que ele ficou branco. Ou que, na outra noite, voltaram bêbados para casa e não se lembram em quem bateram e quanto.
Nos primeiros cinco dias depois do assassinato de Isabella, um adolescente morreu pela quebra de um toboágua, uma criança de quatro anos foi esmagada por um poste derrubado por um ônibus, uma menina pulou do quarto andar apavorada pelo pai bêbado, um menino de nove anos foi queimado com um ferro de marcar boi. Sem contar as crianças que morreram de dengue. Se não bastar, leia a coluna de Gilberto Dimenstein na Folha de domingo passado.
A turba do "pega e lincha" representa, sim, alguma coisa que está em todos nós, mas que não é um anseio de justiça. A própria necessidade enlouquecida de se diferenciar dos assassinos presumidos aponta essa turma como representante legítima da brutalidade com a qual, apesar de estatutos e leis, as crianças podem ser e continuam sendo vítimas dos adultos.

(Folha de São Paulo, 24/04/2008)


APAGUE A LUZ DO DIA
Allison da Silva Ambrósio


Apague a luz do dia, está me irritando
A claridade fria que está fazendo
Traz um remédio que conforte a alma
Que cala e acalma o que está doendo

Suprima o sorriso, está incomodando
Essa alegria que está trazendo
Faz um lamento que enferme a alma
Que revele o trauma que estou tendo

Quem não cansou de viver de amor
Não sabe nada e nunca soube
Que a alma encerra os gritos roucos

Dos carinhos mil que são sempre poucos
E da solidão que provoca a dor
Por uma paixão que nunca houve

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Sobre moluscos e homens

Por Rubem Alves

Piaget, antes de se dedicar aos estudos da psicologia da aprendizagem, fazia pesquisas sobre os moluscos dos lagos da Suíça. Os moluscos são animais fascinantes. Dotados de corpos moles, seriam petiscos deliciosos para os seres vorazes que habitam as profundezas das águas e há muito teriam desaparecido se não fossem dotados de uma inteligência extraordinária. Sua inteligência se revela no artifício que inventaram para não se tornarem comida dos gulosos: constróem conchas duras – e lindas! - que os protegem da fome dos predadores. Ignoro detalhes da biografia de Piaget e não sei o que o levou a abandonar seu interesse pelos moluscos e a se voltar para a psicologia da aprendizagem dos humanos. Não sabendo, tive de imaginar. E foi imaginando que pensei que Piaget não mudou o seu foco de interesse. Continuou interessado nos moluscos. Só que passou a concentrar sua atenção num tipo específico de molusco chamado “homem“. Se é que você não sabe, digo-lhe que muito nos parecemos com eles: nós, homens, somos animais de corpo mole, indefesos, soltos numa natureza cheia de predadores. Comparados com os outros animais nossos corpos são totalmente inadequados à luta pela vida. Vejam os animais. Eles dispõem apenas do seu corpo para viver. E o seu corpo lhes basta. Seus corpos são ferramentas maravilhosas: cavam, voam, correm, orientam-se, saltam, cortam, mordem, rasgam, tecem, constróem, nadam, disfarçam-se, comem, reproduzem-se. Nós, se abandonados na natureza apenas com o nosso corpo, teríamos vida muito curta. A natureza nos pregou uma peça: deixou-nos, como herança, um corpo molengão e inadequado que, sozinho, não é capaz de resolver os problemas vitais que temos de enfrentar. Mas, como diz o ditado, “é a necessidade que faz o sapo pular“. E digo: é a necessidade que faz o homem pensar. Da nossa fraqueza surgiu a nossa força, o pensamento. Parece-me, então, que Piaget, provocado pelos moluscos, concluiu que o conhecimento é a concha que construímos a fim de sobreviver. O desenvolvimento do pensamento, mais que um simples processo lógico, desenvolve-se em resposta a desafios vitais. Sem o desafio da vida o pensamento fica a dormir... O pensamento se desenvolve como ferramenta para construirmos as conchas que a natureza não nos deu.O corpo aprende para viver. É isso que dá sentido ao conhecimento. O que se aprende são ferramentas, possibilidades de poder. O corpo não aprende por aprender. Aprender por aprender é estupidez. Somente os idiotas aprendem coisas para as quais eles não têm uso. Somente os idiotas armazenam na sua memória ferramentas para as quais não têm uso. É o desafio vital que excita o pensamento. E nisso o pensamento se parece com o pênis. Não é por acidente que os escritos bíblicos dão ao ato sexual o nome de “conhecimento“... Sem excitação a inteligência permanece pendente, flácida, inútil, boba, impotente. Alguns há que, diante dessa inteligência flácida, rotulam o aluno de “burrinho“... Não, ele não é burrinho. Ele é inteligente. E sua inteligência se revela precisamente no ato de recusar-se a ficar excitada por algo que não é vital. Ao contrário, quando o objeto a excita, a inteligência se ergue, desejosa de penetrar no objeto que ela deseja possuir.Os ditos “programas“ escolares se baseiam no pressuposto de que os conhecimentos podem ser aprendidos numa ordem lógica predeterminada. Ou seja: ignoram que a aprendizagem só acontece em resposta aos desafios vitais que estão acontecendo no momento (insisto nessa expressão “no momento“ – a vida só acontece “no momento“) da vida do estudante. Isso explicaria o fracasso das nossas escolas. Explicaria também o sofrimento dos alunos. Explicaria a sua justa recusa em aprender. Explicaria sua alegria ao saber que a professora ficou doente e vai faltar... Recordo a denúncia de Bruno Bettelheim contra a escola: “Fui forçado (!) a estudar o que os professores haviam decidido o que eu deveria aprender – e aprender à sua maneira...“ Não há pedagogia ou didática que seja capaz de dar vida a um conhecimento morto. Somente os necrófilos se excitam diante de cadáveres.Acontece, então, o esquecimento: o supostamente aprendido é esquecido. Não por memória fraca. Esquecido porque a memória é inteligente. A memória não carrega conhecimentos que não fazem sentido e não podem ser usados. Ela funciona como um escorredor de macarrão. Um escorredor de macarrão tem a função de deixar passar o inútil e guardar o útil e prazeroso. Se foi esquecido é porque não fazia sentido. Por isso acho inúteis os exames oficiais (inclusive os vestibulares) que se fazem para avaliar a qualidade do ensino. Eles produzem resultados mentirosos por serem realizados no momento em que a água ainda não escorreu. Eles só diriam a verdade se fossem feitos muito tempo depois, depois do esquecimento haver feito o seu trabalho. O aprendido é aquilo que fica depois que tudo foi esquecido... Vestibulares: tanto esforço, tanto sofrimento, tanto dinheiro, tanta violência à inteligência... O que sobra no escorredor de macarrão, depois de transcorridos dois meses? O que restou no seu escorredor de macarrão de tudo o que você teve de aprender? Duvido que os professores de cursinhos passem nos vestibulares. Duvido que um professor especialista em português se saia bem em matemática, física, química e biologia... Eles também esqueceram. Duvido que os professores universitários passem nos vestibulares. Eu não passaria. Então, por que essa violência que se faz sobre os estudantes?Ah! Piaget! Que fizeram com o seu saber? Que fizeram com a sua sabedoria? É preciso que os educadores voltem a aprender com os moluscos...
(Folha de S. PauLO, Tendências e Debates, 17/02/2002)

NOTÍCIAS

A Sociedade Brasileira de Psicologia e Acupuntura (Sobrapa) e o Conselho Federal de Psicologia (CFP) têm o prazer de divulgar o resultado vitorioso de mais uma causa da Psicologia e do profissional psicólogo: A inclusão do psicólogo acupunturista nas equipes do NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família).
A Portaria 154, de 24 de janeiro de 2008 foi reeditada após manifestação de diversas categorias da saúde e da Psicologia, por meio da ação conjunta entre SOBRAPA e o Conselho Federal de Psicologia. A reedição foi publicada e no Diário Oficial da União em 04 de março de 2008. A Portaria cria para o Psicólogo duas possibilidades de participação nas equipes do NASF: como Psicólogo da Saúde Mental e como Psicólogo Acupunturista.

Sejam muito bem-vindos Allison, Juliana e Weina!!!! Agora, já matriculados, alunos de Psicologia!

"Gastarei minha vida explorando o mais deslumbrante e complexo dos mundos, a mente humana. Serei um garimpeiro, procurando ouro nos escombros das pessoas que sofrem." (Augusto Cury)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

AULA SOBRE POSITIVISMO

Pois é pessoal! Muitas pessoas votaram, que SIM, aceitam uma aula sobre POSITIVISMO com a professora Léia! Poderemos estar agendando esta aula! Aguardem!

pow gente...

meu deus... o curso mal começou e já tem gnt se desinteressando: qlq curso de cinco anos tem q ter uma introdução!!!temos de ter paciência e esperar melhor.
e, por favor, galera: ajudem-se!!! eu sei q existem uns e outros com qm n nos identificamos, mas deixem a galera falr, se manifestar! com a estupidez de certas pessoas n iremos pra frente! Axo q ta faltando mta cooperação e bom-senso.
bjao ra todos e espero q td va bem daqui pra frente!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Estereótipo influi no sucesso e no fracasso, diz estudo

Pessoas são afetadas pela percepção do grupo social a que pertencem, diz estudo.
Da BBC

Um artigo publicado na edição deste mês da revista especializada Scientific American afirma que os estereótipos exercem grande influência sobre o sucesso ou o fracasso dos indivíduos.
Segundo o artigo, assinado por pesquisadores britânicos, o fracasso no trabalho, na escola ou em esportes não se deve necessariamente à falta de talento ou incompetência, mas também à maneira como cada um percebe o grupo social ao qual pertence.
Assim, por exemplo, mulheres asiáticas que fizeram testes de matemática obtiveram melhor desempenho ao serem lembradas de suas origens asiáticas (reforçando o estereótipo de que os asiáticos são melhores em matemática) que ao ter sua identidade feminina destacada (já que, segundo o estereótipo, mulheres são piores em matemática que os homens).
Da mesma forma, atletas brancos tiveram pior desempenho em jogos de golfe quando foram informados de que teriam sua "capacidade atlética natural" comparada à de jogadores negros. Em compensação, o grupo melhorou ao acreditar que se tratava de um teste de "inteligência estratégica esportiva".
Em outros experimentos, pessoas mais velhas tiveram rendimento pior em testes de memória após ser lembradas do estereótipo que as relaciona à capacidade cognitiva deteriorada.

Efeito positivo
Estudos anteriores tentaram vincular esta mudança de desempenho ao uso de áreas da memória que deixariam de ser utilizadas pelos indivíduos submetidos à ansiedade da "ameaça dos estereótipos".
Entretanto, isto não explicaria por que os estereótipos também podem ajudar a elevar o rendimento de membros de grupos considerados 'os melhores' - neste caso, esta percepção não altera os recursos de memória disponíveis, disseram os pesquisadores.
Para eles, a explicação é que "a ameaça dos estereótipos não é tanto uma questão de cognição em si, também de imagem pessoal e identidade".
"Embora alguns pesquisadores tenham saltado para a conclusão altamente polêmica de que as diferenças de desempenho refletem diferenças naturais entre os grupos, na verdade a raiz de muitas diferenças repousa sobre os estereótipos, ou pré-conceitos, que outros têm em relação ao grupo a que pertencemos", diz o estudo.
Ao mesmo tempo, o artigo afirmou que os estereótipos são flexíveis, e podem ser modificados para influenciar o desempenho dos indivíduos.
"De muitas maneiras, temos um estereótipo do estereótipo, que é errada. Os estereótipos não são necessariamente ruins, podem inclusive ser ferramentas de progresso", disse o professor Stephen Reicher, da Universidade St Andrews, na Escócia.
"Foi precisamente por desafiar estereótipos que ativistas como Steve Biko e Emmeline Pankhurst puderam alcançar a emancipação de negros sul-africanos e de mulheres britânicas."
Para os pesquisadores, os estudos em relação ao tema trazem "duas lições fundamentais".
"A primeira é tomar cuidado para não confundir desempenho e capacidade, especialmente ao tratar de grupos diferentes entre si, e compreender a força que as expectativas dos outros exerce sobre o que fazemos", dizem os pesquisadores.
"A segunda é perceber que não estamos fadados a ser vítimas de estereótipos opressivos, mas que podemos aprender a usar os estereótipos como ferramentas de nossa liberação."

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL420632-5603,00-ESTEREOTIPO+INFLUI+NO+SUCESSO+E+NO+FRACASSO+DIZ+ESTUDO.html

A INVEJA É UMA...

Antes que tente se esquivar e complete a frase com alguma palavra chula, saiba que mais de 70% dos brasileiros já confessaram terem sido tomados por esse sentimento. Mas será que ele é sempre ruim?


Por Pamela Cristina Leme



"O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde", adverte Zuenir Ventura no livro "Inveja - Mal Secreto" (Editora Objetiva). Listada pela Igreja Católica durante o Concílio de Trento (1545-1563), a inveja está entre os sete pecados capitais (batizados assim porque dão origem a outros) escolhidos para refletir sobre o crescimento do protestantismo da época, e também para criar um sistema que ajudasse os fiéis a memorizar os reais valores católicos.Mas até hoje a inveja ainda carrega o peso de ser um sentimento capaz de causar o sofrimento humano, e o dicionário dá uma força para afirmar essa predileção. De acordo com o Aurélio, esse sentimento se caracteriza pelo desgosto ou pesar de alguém com a felicidade de outra pessoa, bem como pelo desejo violento de possuir o bem alheio, o que confirma jargões como "a grama do vizinho é sempre mais verde" e "a inveja mata". O psicólogo e professor do Instituto de Psicologia da USP Ailton Amélio da Silva explica que "a inveja aparece quando outrem é dono de alguma coisa que não possuímos. Esse interesse produz vontades negativas, como a sensação de inferioridade que o próprio invejoso angaria e a vontade de que o outro perca o que tem. Por essa razão, a inveja não é considerada um sentimento nobre". "Algumas pessoas são mais suscetíveis a sentirem inveja que outras. O grau de inveja depende de como alguém foi tratado desde que nasceu, ou seja, se recebeu afeto, atenção e reconhecimento por suas conquistas", explica a psicóloga e analista junguiana Brenda Gottlieb, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica. De acordo com a médica, a inveja nasce da frustração de algumas pessoas por se sentirem fracassadas em determinadas áreas da vida. Ela conta que, por não suportar a idéia de ser incapaz de conseguir aquilo que outro possui, o invejoso passa a boicotar, fofocar e tramar armadilhas para acabar com o prazer de outrem, a fim de provar para si mesmo que é melhor. Ainda assim, a médica afirma que é preciso ficar atento à inveja, já que ela indica um desejo reprimido e nem sempre é patológica. Por isso, devemos diferenciar a inveja da busca pelo bem-estar ou o desejo pela conquista do objeto que nos falta, sem práticas de humilhação e desonestidade com o próximo. "Inveja todo mundo tem. E todo mundo tem que ter, porque ela faz parte da psique humana. No entanto, é preciso saber que a inveja pode tanto destruí-lo como beneficia-lo", diz. "A inveja pode fazer com que as pessoas se esforcem para conseguir o que querem. Ela estimula a criação e é benéfica quando a busca pelo objeto pretendido não implica a decadência do outro."

Quem sente mais inveja?

Os especialistas consultados afirmam que entre homens e mulheres a incidência de inveja é a mesma. O que muda é a forma como cada sexo se manifesta. "As mulheres costumam ser mais competitivas no que diz respeito à beleza. A intensa valorização da estética pelos meios de comunicação cria um campo de hostilidade entre elas, tanto para protegerem seus parceiros quanto na busca por uma nova relação", sinaliza o professor do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo) Ailton Amélio, que escreveu o livro "O Mapa do Amor" (Editora Gente). "Os homens, por outro lado, são intensamente movidos pelo sucesso profissional, que está intrinsecamente ligado a auto-estima masculina", completa. Brenda salienta que a ala feminina é comumente classificada como a mais invejosa porque as mulheres expõem os sentimentos com mais facilidade. "A inveja não depende do sexo, mas, culturalmente, as mulheres lidam com seus sentimentos de forma mais aberta, já que sempre buscam exorcizar o que as perturba. Os homens, no entanto, tendem a reprimir mais o que sentem", aponta. Ainda assim, pesquisa realizada pelo Ibope em 2004, com homens e mulheres de todo Brasil, revelou que 70% dos brasileiros admitem terem sentido inveja. Para os profissionais, a inveja se perpetua apenas em grupos de pessoas que estão próximas. O sentimento costuma acontecer, com freqüência, entre colegas de trabalho e familiares.

"É típico o caso de irmãos que sentem inveja um do outro, porque acham que a mãe deu atenção para apenas um. Quanto mais próxima uma pessoa estiver de nós, maior as chances de sentirmos inveja. Isso porque são as pessoas que estão perto de nós que nos lembram o tempo todo como não conseguimos atingir certos objetivos de vida", sinaliza a analista junguiana.

Absolutamente malévolo ou não, o sentimento ecoa profundamente no inconsciente individual e coletivo, acompanhado, sem dúvidas, de um lado, da vergonha por sentir tão vil desejo e, de outro, do medo de exclusão e rejeição pelo meio social o qual se está inserido. Mas não é difícil imaginar que muita gente por aí, tal qual John Milton no filme "Advogado do Diabo" (EUA, 1997), no fundo pense: "A inveja é meu pecado favorito".

"O termômetro do sucesso é meramente a inveja dos descontentes." Salvador Dali

COMPORTAMENTO


Quando o mal triunfa


Crianças assassinadas, abandonadas, torturadas – as notícias que
têm chocado o Brasil lembram que o lado monstruoso do homem
pode até ser contido, mas jamais será definitivamente domado.

Jerônimo Teixeira para VEJA

acesse o LINK e leia a reportagem na íntegra: http://veja.abril.com.br/090408/p_088.shtml

sábado, 19 de abril de 2008

Professores




Seria muito bem-vindo, todo material, que enriquecesse e complementasse nossos conhecimentos em Psicologia.


Assim como, artigos, notícias, material que está disponível na internet, indicações de livros, sites, links, filmes, etc.


Este Blog deve ser usado pelos professores que tem interesse em trocar informações com seus alunos! Fiquem à vontade!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

DUÍLIA
Allison S. Ambrósio

Essa noite eu assisti a um filme rodado nos anos sessentas, baseado em um dos contos mais bonitos que já li: “Viajando nos Seios de Duília”. Acho que uma das coisas que tornou o texto mais significativo para mim foi estar com meu grande amigo e escritor Ricardo Gondim naquela tarde, num dos raros momentos de descontração que tivemos em Fortaleza, numa livraria do Iguatemi.

O texto se encontra na coleção “Os Cem Melhores Contos do Século”, ou algo assim. Fala de um homem, Sr. José Maria que, ao que tudo indica, estacionou todas as suas emoções em um singular momento de sua adolescência, quando foi procurar a garota por quem estava apaixonado havia muito tempo, contudo sem coragem de falar.

Seu pai recebeu uma nomeação do governo federal no Rio de Janeiro, que o chamava para assumir o trabalho em apenas dois dias. Portanto, Zequinha precisava encontrar Duília, seu amor de juventude para dar as duas notícias – a partida iminente daquele vilarejo onde moravam e a paixão que sentia. Para sua surpresa, ela também lhe confessou ser apaixonada por ele desde muito tempo, o que o sobressaltou em razão de só saber dessas coisas no tempo de ir embora.

Quarenta anos depois, o agora Sr.José Maria está aposentado, morando no Rio de Janeiro e muito infeliz. Descobriu que havia posto todas as suas energias no trabalho e não construiu família, amizades ou relacionamentos duradouros. Por causa de uma conversa informal em um velório, José Maria chega à conclusão de que se voltar a Pouso Triste, a cidadela de onde saiu e onde deixou o seu grande amor, provavelmente reencontraria a felicidade.

Desde a viagem em si até a chegada, não se faz necessário dizer que foi uma grande decepção o seu retorno. Apesar de nada ter mudado esteticamente falando – a cidadezinha ficava no interior mais remoto do Estado de Minas Gerais – o José Maria havia mudado. Lugares que pareciam enormes, agora para ele eram atravessados em poucas passadas. Rios caudalosos para um menino, não passavam de riachos frágeis e inofensivos para o homem que voltou.

Quando se aproximou de Duília, agora uma senhora de mais de sessenta anos de idade, viúva, três filhos, ao revelar finalmente quem era, fez com que a mulher se angustiasse e perguntasse decepcionada: “Por que você fez isso? Por que voltar no tempo, atrás de um passado que não existe mais, de uma pessoa que nunca mais será a mesma?”. Quando se deu conta dessa realidade, José Maria saiu da sala, caminhando como que sem rumo em direção à árvore onde deu seu primeiro e único beijo de amor.

O filme termina assim. Assim como a vida, que nem sempre segue um roteiro do Spielberg em seu final. Seca, fria e inexorável. “É a vida!”, multiplicam-se afirmações do tipo. Achei até melhor que nem o autor do conto e nem o roteirista do filme tivessem tentado dar um final plausível para o homem desesperado. Acho que seria a morte, mas, na idade em que se encontrava, talvez nem conseguisse voltar mais para o Rio de Janeiro.

Já voltei no tempo algumas vezes, revisitando lugares e reencontrando pessoas queridas. Em algumas delas chorei de emoção. Não sei se isto já um dispositivo de prevenção emocional da nossa própria mente, pressentindo a chegada da maturidade. Aí nos apegamos às curvas, alças e nós do passado, da nostalgia, como que querendo voltar no tempo, nem tanto pela experiência em si, mas para adiar a fila da partida eterna.

É quando os perfumes, os sabores, as cores e frases nos chegam com toque de eternidade. É quando nos encontramos a administrar medos jamais antes sentidos. E saímos correndo atrás das Duílias da nossa história. Ou dos Josés Marias, diriam as mulheres. E eles não estão mais lá. E as histórias não estão mais lá. Finalmente descobrimos que nós também não estamos mais.