
sexta-feira, 26 de junho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Bullying: do conto infantil à tragédia social
Para investigar uma das modalidades de violência que mais cresce e ameaça crianças em todo o mundo, a convulsão social bullying, o Conexão Professor entrevistou a Professora Tania Zagury, que, além de tratar o fenômeno em seu acervo literário, é também filósofa e mestre em Educação. Autora de, entre outros, Limites sem Trauma, Educar sem Culpa e Encurtando a Adolescência, Tania procura alarmar familiares e pedagogos para a emergência na detecção e no tratamento do problema. Confira aqui a entrevista:
Conexão Professor (CP) - Que contexto potencializa o bullying?
Tania Zagury - Ambientes altamente competitivos; sociedades individualistas que desprestigiam a racionalidade, o saber e os valores humanos; famílias onde a injustiça, as agressões físicas ou nas quais a tônica é a falta de autoridade dos pais são fatores que, conjugados, favorecem o aparecimento do fenômeno. O bullying compreende todo o tipo de agressões , intencionais, repetidas e sem motivo aparente, que um grupo de alunos adota contra um ou vários colegas, em situação desigual de poder, causando intimidação, medo e danos à vítima. Pode apresentar-se sob várias formas, desde uma simples "gozação" ou apelido (sempre depreciativo), passando por exclusão do grupo, isolamento, assédio e humilhações, até agressões físicas como chutes, empurrões e pancadas. Pode incluir também roubo ou destruição de objetos pessoais. Portanto, uma briga entre dois alunos, no pátio da escola ou na hora da saída, não caracteriza bullying, que ocorre sempre numa situação em que a vítima está em desvantagem física e/ou emocional. É importante esclarecer que não é fenômeno novo, embora atualmente venha se tornando mais violento e, em alguns casos, acabando de forma trágica, dada a facilidade de aquisição de armas e à exposição excessiva e enfática que a mídia dá a casos semelhantes, especialmente quando envolve indivíduos com forte labilidade emocional.
CP - É possível traçar o perfil de um potencial agressor e de um potencial agredido?
Tania Zagury - Em geral, os agressores são pessoas com pequeno grau de empatia, oriundos de famílias desestruturadas, ou que não trabalham adequadamente a questão dos limites, nas quais não há bom relacionamento afetivo ou em que a agressão física é comumente utilizada como forma de solucionar conflitos. Já as vítimas são, em geral, pessoas tímidas, sem muitos amigos, introvertidas e pouco sociáveis, com baixa capacidade de reação a esse tipo de situação. São geralmente inseguras, têm baixa auto-estima e pouca esperança de conseguir ajuda por parte de colegas ou dos adultos responsáveis por elas. É bom ressaltar, porém, que, em se tratando do ser humano, nem sempre as coisas ocorrem de forma tão linear, nem são totalmente precisas.
CP - Como detectar e tratar o distúrbio?
Tania Zagury - A detecção é difícil, porque o bullying é sempre praticado de forma dissimulada, em locais em que seja difícil a visualização do que está ocorrendo ou em momentos em que os adultos não estão presentes ou se distraem momentaneamente. Portanto, o que de melhor se pode fazer é criar redes de proteção aos que presenciam ou sofrem tais agressões, de forma que se sintam seguros para denunciar o fato sem se sentir em risco, ou seja: é preciso trabalhar preventivamente, criando redes de proteção para estimular e reforçar a possibilidade de denúncia. Trabalhar de forma a deixar claro para toda a comunidade que haverá sanção aos agressores intimida bastante e costuma diminuir o percentual de ocorrências, enquanto que a impunidade, pelo contrário, estimula e faz aumentar a incidência.
CP - Quem deve estar atento e pode ajudar?
Tania Zagury - Quanto mais se estuda o assunto, mais claro fica que, tanto os educadores nas escolas quanto a família devem agir de forma proativa e assertiva. A intervenção dos adultos e a atenção ao problema devem ser estimuladas em todos os níveis. De preferência, criar e divulgar os mecanismos disponíveis para que as vítimas potenciais e os expectadores (são os que já presenciaram casos de violência contra colegas) sintam-se fortalecidos e estimulados a apontar os agressores.
Conexão Professor (CP) - O que explica o maior ou o menor número de casos dentro de uma instituição escolar? Onde mais o distúrbio pode se manifestar?
Tania Zagury - Quanto maior a certeza de impunidade, maior a freqüência de ocorrências. O problema é mais freqüente nas escolas, mas pode ocorrer também em clubes, condomínios ou quaisquer outros locais freqüentados com certa regularidade por crianças e adolescentes, de forma tal que permita os grupos se formarem e as vítimas potenciais serem detectadas pelos agressores.
CP - Que comprometimentos emocionais a criança pode desenvolver a partir do bullying? De que forma o distúrbio interfere na construção psicológica dos envolvidos?
Tania Zagury - A longo prazo, o bullying - se não combatido de forma eficaz - pode levar à sensação de impunidade e, conseqüentemente, a atos anti-sociais, dificuldades afetivas, delinqüência e crimes graves. Pode também levar a atitudes agressivas no trabalho, na escola ou na família. De repente, aparentemente sem causa específica, um jovem entra numa escola, matando e ferindo. Não estou afirmando que o bullying é sempre ou unicamente a causa ou a origem dos assassinatos em massa cometidos por jovens, mas parece haver ligação entre os dois em vários casos - o que torna essencial tomarmos em nossas mãos a prevenção do problema. Mesmo não chegando a extremos como este, a violência gratuita e covarde precisa e deve ser combatida com firmeza.
CP - Que tipos de discriminação levam à violência entre as crianças?
Tania Zagury - Tudo e nada ao mesmo tempo: qualquer diferença individual ou social pode ser motivo de perseguição. Por exemplo, uma criança gordinha ou muito baixa; mais escura ou muito clara; sardenta ou ruiva; mais alta do que a média; dentuça ou a quem faltem dentes... Enfim, aquelas que se diferenciam da média. Pode ser também o mais bonito, o mais "paquerado"; o que tem mais roupas ou é admirado pelos professores, o que só tem notas altas. O bullying é mais freqüente entre meninos; entre as meninas assume forma diferente: em geral, a exclusão ou a maledicência são as armas mais comuns.
CP - Que medidas devem ser adotadas diagnosticado o distúrbio?
Tania Zagury - Nas escolas, sugiro algumas medidas importantes:
- Treinamento para instrumentalizar todos os que lidam com alunos, no sentido de estarem atentos e aptos a perceber tentativas de intimidação ou agressão entre estudantes. Para tanto, é preciso conhecer sinais, perceber sintomas e atitudes que caracterizam vítimas e agressores;- Segurança e clareza do corpo técnico sobre medidas para intervir adequadamente;- Assegurar, através de exposição clara nas turmas, que tanto vítimas como expectadores terão sempre a proteção e o anonimato garantidos;- Implantar um esquema institucional de responsabilização para os agressores, de preferência não excludente, mas no qual agressores arcarão com as conseqüências de seus atos.- Procurar revestir as sanções de caráter educativo; excluir pura e simplesmente não forma consciência, nem transforma agressores em bons cidadãos.- Fortalecer os que sofrem ou presenciam o bullying, oferecendo canais de comunicação que garantam a privacidade dos que se disponham a falar;- Treinar a equipe da escola (em todos os níveis), de forma a adotar forma única e homogênea de agir nesses casos, para que todos se sintam protegidos: corpo técnico, alunos-vítimas e expectadores (só assim o silêncio se romperá);- Incorporar ao currículo medidas educacionais formadoras, a serem trabalhadas por todos os professores, independentemente da matéria, série ou grupo, dando-se especial ênfase ao desenvolvimento de habilidades sociais tais como: saber ouvir; respeitar diferenças; ter limites; saber argumentar sem discutir ou agredir; ser solidário; ter dignidade; respeitar o limite e o direito do outro etc.
Na família, por outro lado, a ação dos pais ou cuidadores deve focar:
- a questão dos limites;- a formação ética dos filhos;- a não aceitação firme do desrespeito aos mais velhos e/ou mais fracos.
Isto é, a família deve reassumir o quanto antes o seu papel de formadora de cidadãos, abandonando a postura superprotetora cega e a crença de que amar é aceitar toda e qualquer atitude dos filhos, satisfazer todos os seus desejos, não criticar o que deva ser criticado e nunca responsabilizá-los por atitudes anti-sociais.
- Treinamento para instrumentalizar todos os que lidam com alunos, no sentido de estarem atentos e aptos a perceber tentativas de intimidação ou agressão entre estudantes. Para tanto, é preciso conhecer sinais, perceber sintomas e atitudes que caracterizam vítimas e agressores;- Segurança e clareza do corpo técnico sobre medidas para intervir adequadamente;- Assegurar, através de exposição clara nas turmas, que tanto vítimas como expectadores terão sempre a proteção e o anonimato garantidos;- Implantar um esquema institucional de responsabilização para os agressores, de preferência não excludente, mas no qual agressores arcarão com as conseqüências de seus atos.- Procurar revestir as sanções de caráter educativo; excluir pura e simplesmente não forma consciência, nem transforma agressores em bons cidadãos.- Fortalecer os que sofrem ou presenciam o bullying, oferecendo canais de comunicação que garantam a privacidade dos que se disponham a falar;- Treinar a equipe da escola (em todos os níveis), de forma a adotar forma única e homogênea de agir nesses casos, para que todos se sintam protegidos: corpo técnico, alunos-vítimas e expectadores (só assim o silêncio se romperá);- Incorporar ao currículo medidas educacionais formadoras, a serem trabalhadas por todos os professores, independentemente da matéria, série ou grupo, dando-se especial ênfase ao desenvolvimento de habilidades sociais tais como: saber ouvir; respeitar diferenças; ter limites; saber argumentar sem discutir ou agredir; ser solidário; ter dignidade; respeitar o limite e o direito do outro etc.
Na família, por outro lado, a ação dos pais ou cuidadores deve focar:
- a questão dos limites;- a formação ética dos filhos;- a não aceitação firme do desrespeito aos mais velhos e/ou mais fracos.
Isto é, a família deve reassumir o quanto antes o seu papel de formadora de cidadãos, abandonando a postura superprotetora cega e a crença de que amar é aceitar toda e qualquer atitude dos filhos, satisfazer todos os seus desejos, não criticar o que deva ser criticado e nunca responsabilizá-los por atitudes anti-sociais.
CP - Videogames e filmes violentos podem gerar na criança a assimilação de práticas agressivas, funcionando como motores do bullying?
Tania Zagury - Estudos recentes mostram que há correlação positiva entre agressividade e número de horas que as crianças ficam em frente da tevê, assistem a filmes violentos ou jogam videogames com temática violenta. Quer dizer, quanto mais tempo e mais precocemente começam, maior probabilidade de incorporarem como naturais e aceitáveis atitudes agressivas ou violentas. Alguns estudos detectaram, inclusive, mudanças de comportamento em crianças pequenas, poucas horas depois de expostas a programas com esse tipo de conteúdo. De qualquer forma, é importante saber que nem toda brincadeira agressiva irá "obrigatoriamente" gerar atitudes de bullying, mas é importante alertar que não se pode ignorar e que nos remete, mais uma vez, à questão dos limites que, tanto pais como docentes, precisam desenvolver nas novas gerações.
janeiro/2009
Bullying - 27/04/2009
Assista ao comentário de Luiz Carlos Prates no Jornal do Almoço.
http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=60455&channel=47
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sábado, 20 de junho de 2009
INFORMAÇÕES - CURSO PSICOLOGIA ESTÁCIO-SC
Matrículas Veterano (via aluno on-line)
05/07/2009 - Vencimento da taxa de rematricula
10 à 17/07/09 - Matrícula via internet (aluno on-line)
05/07/2009 - Vencimento da taxa de rematricula
10 à 17/07/09 - Matrícula via internet (aluno on-line)
terça-feira, 16 de junho de 2009
Lacan cem anos depois
O psicanalista Jorge Forbes fala sobre a importância do psicanalista francês para o pensamento moderno e explica por que o brasileiro é um otimista
Chico Silva /2001
No último dia 13 de abril, foi comemorado o centenário de nascimento do psicanalista francês Jacques Lacan, o homem que, a partir de Freud, reinventou a psicanálise. Mas nem todos festejaram a data. Intempestivo, polêmico, hermético e genial, Lacan arrebatou admiradores e inimigos quase na mesma proporção. Parte do primeiro time, o psicanalista Jorge Forbes, 49 anos, de São Paulo, é um dos maiores especialistas em Lacan no País. Divide com alguns poucos o mérito de introduzir a obra lacaniana no Brasil. “Sem Lacan, a psicanálise não existiria”, provoca Forbes. Nesta entrevista, o ex-presidente da Escola Brasileira de Psicanálise fala sobre a importância de Lacan para o pensamento moderno e aborda também outros temas, como angústia, depressão e um certo caráter do povo brasileiro.
ISTOÉ – Qual é o legado deixado por Jacques Lacan?
Jorge Forbes – Jacques Lacan pode ser considerado o mais importante psicanalista depois de Sigmund Freud. Sem ele, hoje não existiria a psicanálise. Ele teve a condição de continuar o cerne da descoberta freudiana, que é o de permitir a cada pessoa saber qual é a sua forma particular de desejar, de amar, sem ser obrigado a entrar nessa plastificação do mundo atual.
ISTOÉ – Por que fazer uma análise lacaniana?
Forbes – Análise lacaniana é a mais compatível com o sujeito pós-moderno. Nós estamos vivendo uma época na qual existe uma horizontalidade maior entre as pessoas – diferente da era anterior, em que tínhamos modelos piramidais de organização. O sujeito pós-moderno tem uma forma de significação que ultrapassa a ordem paterna. E foi Lacan que propôs a condução de uma análise além do Édipo, além do modelo freudiano típico e, portanto, mais compatível com o sujeito pós-moderno.
ISTOÉ – O sr. conheceu Lacan. Que impressão teve dele?
Forbes – Conheci-o com 75 anos. Era impressionante o vigor e a vontade de ir além. Dava a impressão de que não perdia um momento na vida. Era uma pessoa muito receptiva, do jeito dele. Mesmo muito famoso, bastava telefonar e ele te recebia. Qualquer ambiente em que entrasse, se fazia imediatamente notar, mesmo que não abrisse a boca. Era um analista o tempo todo.
ISTOÉ – O tempo da sessão virou o grande cavalo de batalha da psicanálise lacaniana. Algumas dessas sessões, por sinal caríssimas, duravam segundos. O que é mito e o que é verdade?
Forbes – Ah, essa é uma crítica sempre repetida. Tem até uma historiadora conhecida que afirma em artigos que Lacan teria diminuído o tempo da sessão porque tinha muita gente na sala de espera. Vejo essas declarações com certo desalento. Não basta conhecer história. É preciso conhecer psicanálise para se falar dela. O tempo de uma sessão para Lacan é fundamental, faz parte da própria análise. As decisões que uma pessoa toma têm sempre o tempo como um dado do próprio problema. Portanto, mais ou menos tempo, muda o dado e assim muda a conclusão.
ISTOÉ – Por que a análise é cara?
Forbes – As pessoas acham caro porque elas estão acostumadas a pensar o uso do dinheiro na relação custo/benefício. E é muito difícil medir quanto você investe em uma análise tendo esse termômetro. Se você vai a um médico e tem um nariz feio e ele diz “você me paga R$ 1 mil e eu o transformo”, você tem uma relação clara de custo/benefício. Quando você vai para uma análise, o termômetro não é nem padronizado nem exterior. As pessoas se embaralham. E esse embaralhamento é utilizado na análise. Portanto, tal qual o tempo, o pagamento é um fator que o profissional utiliza como instrumento terapêutico. Um dos objetivos é que cada um ponha em questão seu referencial de valor. E o dinheiro é um dos parâmetros nos quais a questão do valor caminha.
ISTOÉ – O Brasil tem uma das melhores escolas de psicanálise do mundo. O brasileiro precisa de análise?
Forbes – O brasileiro ama o seu inconsciente. Isso explica por que o Brasil é um dos países no qual a psicanálise é mais desenvolvida. Uma das qualidades do povo brasileiro é de não se levar muito a sério. Ele tem sempre uma certa desconfiança, sadia e gaiata. Essa qualidade é que o faz sensível às formações do inconsciente. A psicanálise vai mal em países totalitários. Por isso, a Alemanha nazista a baniu. Menos seriamente, sociedade na qual todos gostam do mesmo queijo não é lugar para a psicanálise.
ISTOÉ – Essa desconfiança gaiata é que faz o brasileiro encarar com bom humor certas angústias que o afligem?
Forbes – Um ditado popular diz que o brasileiro não se preocupa muito com a sua história porque amanhã ela irá se transformar em enredo de escola de samba. A identidade do brasileiro está voltada para o futuro e não para o ontem. Ele acredita no futuro. Essa qualidade minora as dificuldades que enfrenta no dia-a-dia. Quando bem usado, é um de seus tesouros.
ISTOÉ – O sr. fez referência ao homem pós-moderno. Qual é a posição dele na nova organização social?
Forbes – A globalização está provocando mudanças em homens e mulheres. Antes, as pessoas buscavam pertencer a grandes corporações ou ter profissões reconhecidas como de “doutor”: médico, engenheiro ou advogado. Hoje, não é mais isso que se espera. Não é uma honra ficar no mesmo emprego e o leque profissional é muito mais amplo. A globalização pulverizou os ideais, exigindo a cada um se defrontar com a angústia da escolha: será que você quer realmente o que deseja?
ISTOÉ – Então a globalização pode ser benéfica ao indivíduo...
Forbes – Cada pessoa tem mais chance de provar a que veio. De inovar. Ao mesmo tempo sofre mais com isso. Não há mais um caminho definido. Isso está causando uma epidemia de depressão. O homem está desbussolado. O problema é saber o que ele realmente quer. Como Freud dizia, não existe uma organização social perfeita. Quando a sociedade muda, você tem novas soluções e novos problemas. Antigamente, o jovem dizia que não tinha liberdade de escolha. Hoje, ele tem essa liberdade e se sente perdido. Por não saber o que fazer, acha que tudo o que faz é pouco. E quando chega a essa conclusão, se deprime ou se droga. Mas é bom lembrar que os próprios jovens nos indicam soluções. A música eletrônica e os esportes radicais surgem como novas formas de lidar com o mundo moderno.
fonte:
quinta-feira, 21 de maio de 2009

18 de Maio de 2009
Pequenos Tiranos
Frequentemente, em meu consultório, recebo pais se queixando de seus filhos, relatando que estes estão sem limites, se tornaram crianças incontroláveis, mimadas e cheias de vontades.
Questionando sobre esse relacionamento, sobre a dinâmica estabelecida entre os pais e os pequenos mimados, percebi uma intensa permissibilidade por parte destes pais e uma grande dificuldade de dizer “não”, de impor limites a estas crianças. Pais que são sempre amigos, que sequer levantam a voz para seus filhos.
Porque está tão difícil para estes pais exercer sus função parental, impondo limites com firmeza e deixando claro quem está no controle?
Queremos que as crianças sejam ou pareçam sempre felizes e satisfeitas. Parece que o desejo de ser bons pais os impede de colocá-los no lugar daquele que interdita e que faz cumprir a lei. O medo de frustrar seus filhos faz esses pais realizarem todas as demandas dos pequenos que, quando não atendidos, se jogam no chão, chorando aos berros, criando um verdadeiro espetáculo que já vimos diversas vezes em supermercados, lojas, shoppings ou até mesmo no meio da rua. Os pais, nestes momentos, olham constrangidos para as pessoas que passam, sem saber como agir com o pequeno tirano se debatendo no chão. Nós que passamos e presenciamos esta cena pensamos: “Porque esses pais não fazem nada?” Na verdade acho que a pergunta adequada é “Porque esse pai fez tudo, exceto agir como pai?”.
Essas crianças que parecem mais ditadoras controlam, com gritos e cenas, o comportamento dos pais, que cedem cada vez mais às suas vontades, enquanto os filhos se tornam cada vez mais difíceis de se conviver.
A história de que criança precisa de limite é antiga, mas ainda é verdade. Porém impor estes limites não é tão fácil assim. Isso coloca em jogo a necessidade de amor dos pais, o receio em punir demais, e o desejo de serem os melhores pais do mundo. Punir significa suportar o ódio, mesmo que momentâneo, da criança. Impor limites constitui, à duras penas, saber lidar com o choro revoltado do filho, sabendo que este é o melhor caminho.
Assisti recentemente um trecho do programa Supernany, que passa no SBT e fiquei assustada com o comportamento de uma menina de 5 anos que em menos de 10 minutos deu dois tapas no rosto da sua mãe, que olhava para a câmera e dizia não saber o que fazer. Fiquei mais assustada ainda ao saber que mais de 30 mil famílias concorrem para ter a chance de um conselho da tal babá (ou a um espaço na tela?) porque não sabem mais o que fazer com seus rebentos agressivos e sem limites.
Vivemos numa sociedade permissiva e estes pais são reflexos desta. É difícil estabelecer limite, mas estas interdições e demarcações do que é permitido e o que não é, são essenciais para a formação e desenvolvimento das crianças.
Por mais doloroso que seja para um pai dizer “não!”, é a partir deste não, deste limite, que as crianças tem a possibilidade de se constituir e de desenvolver.
Com certeza não existe uma fórmula de como lidar com os filhos, isso é o resultado de um caminho sinuoso e singular que cada pai deve construir com seu filho.
Pequenos Tiranos
Frequentemente, em meu consultório, recebo pais se queixando de seus filhos, relatando que estes estão sem limites, se tornaram crianças incontroláveis, mimadas e cheias de vontades.
Questionando sobre esse relacionamento, sobre a dinâmica estabelecida entre os pais e os pequenos mimados, percebi uma intensa permissibilidade por parte destes pais e uma grande dificuldade de dizer “não”, de impor limites a estas crianças. Pais que são sempre amigos, que sequer levantam a voz para seus filhos.
Porque está tão difícil para estes pais exercer sus função parental, impondo limites com firmeza e deixando claro quem está no controle?
Queremos que as crianças sejam ou pareçam sempre felizes e satisfeitas. Parece que o desejo de ser bons pais os impede de colocá-los no lugar daquele que interdita e que faz cumprir a lei. O medo de frustrar seus filhos faz esses pais realizarem todas as demandas dos pequenos que, quando não atendidos, se jogam no chão, chorando aos berros, criando um verdadeiro espetáculo que já vimos diversas vezes em supermercados, lojas, shoppings ou até mesmo no meio da rua. Os pais, nestes momentos, olham constrangidos para as pessoas que passam, sem saber como agir com o pequeno tirano se debatendo no chão. Nós que passamos e presenciamos esta cena pensamos: “Porque esses pais não fazem nada?” Na verdade acho que a pergunta adequada é “Porque esse pai fez tudo, exceto agir como pai?”.
Essas crianças que parecem mais ditadoras controlam, com gritos e cenas, o comportamento dos pais, que cedem cada vez mais às suas vontades, enquanto os filhos se tornam cada vez mais difíceis de se conviver.
A história de que criança precisa de limite é antiga, mas ainda é verdade. Porém impor estes limites não é tão fácil assim. Isso coloca em jogo a necessidade de amor dos pais, o receio em punir demais, e o desejo de serem os melhores pais do mundo. Punir significa suportar o ódio, mesmo que momentâneo, da criança. Impor limites constitui, à duras penas, saber lidar com o choro revoltado do filho, sabendo que este é o melhor caminho.
Assisti recentemente um trecho do programa Supernany, que passa no SBT e fiquei assustada com o comportamento de uma menina de 5 anos que em menos de 10 minutos deu dois tapas no rosto da sua mãe, que olhava para a câmera e dizia não saber o que fazer. Fiquei mais assustada ainda ao saber que mais de 30 mil famílias concorrem para ter a chance de um conselho da tal babá (ou a um espaço na tela?) porque não sabem mais o que fazer com seus rebentos agressivos e sem limites.
Vivemos numa sociedade permissiva e estes pais são reflexos desta. É difícil estabelecer limite, mas estas interdições e demarcações do que é permitido e o que não é, são essenciais para a formação e desenvolvimento das crianças.
Por mais doloroso que seja para um pai dizer “não!”, é a partir deste não, deste limite, que as crianças tem a possibilidade de se constituir e de desenvolver.
Com certeza não existe uma fórmula de como lidar com os filhos, isso é o resultado de um caminho sinuoso e singular que cada pai deve construir com seu filho.
Fernanda Pimentel
Artigo publicado no Jornal A Orla
Freud disse que a Psicanálise era uma peste?

Terça-feira, 29 Abril, 2008 ·
Reportagem de 07 de Fevereiro de 2008 do Semanário de Portugal a respeito da célebre frase de Freud: “eles não sabem que lhes estamos a trazer a peste?” (português de Portugal)
”Numa conferência nos EUA, em 1909, Freud terá comentado com Jung, a propósito da psicanálise, que “eles não sabem que lhes estamos a trazer a peste?” O SEMANÁRIO questionou vários psicanalistas sobre a veracidade destas palavras e o sentido que Freud lhe quis dar. Coimbra de Matos, Carlos Amaral Dias, Celeste Malpique, Eurico Figueiredo, Eduardo Sá, Jaime Milheiro, João Seabra Diniz e Rui Coelho deram as suas opiniões.
Coimbra de Matos: “As ideias de Freud abalariam o statu quo da moralidade sexual burguesa”“O termo ‘peste’ deve ser interpretado em sentido metafórico – as ideias de Freud eram, efectivamente, revolucionárias e abalariam o statu quo da moralidade sexual burguesa.”
Carlos Amaral Dias: “A ciência do inconsciente foi, sem dúvida, uma ‘peste’ que perplexizou as ciências médicas, sociais e humanas.”Tudo indica que Freud terá proferido o comentário em epígrafe ou pelo menos, algo muito semelhante.Considero particularmente feliz a metáfora, já que a ciência do inconsciente foi, sem dúvida, uma “peste” que perplexizou as ciências médicas, sociais e humanas.
Celeste Malpique: “Notando o pragmatismo e o puritanismo americano logo pressentiu que não se aperceberam de quanto a Psicanãlise era subversiva.”Freud fez realmente esse comentário quando em 1909 visitou os USA a convite de Stanley Hall,da Univ. de Clark em Worcester.Foi muito bem acolhido,fez conferências muito claras e interessantes e sentiu-se aceite ,o que não acontecia no meio científico europeu.Bom observador ,como era ,notando o pragmatismo e o puritanismo americano logo pressentiu que não se aperceberam de quanto a Psicanãlise era subversiva,e que também ali, surgiriam resistências.Como se veio a verificar na divulgação da Teoria e numa certa superficialidade e deturpação do método psicanalítico.
Eurico Figueiredo: “Não vejo que o aumento da nossa liberdade de nos utilizarmos e de interagir com os outros seja ‘peste’.”A pergunta, para evitar o problema da sua veracidade, poderá ser feita pelo Sr Director: “Trouxe a psicanálise a peste ao mundo?” A minha resposta é de modo nenhum: a Psicanálise é uma prática que aumenta a liberdade do analisando libertando-o de repetir comportamentos que resultaram de uma aprendizagem empobrecedora. Não vejo que o aumento da nossa liberdade de nos utilizarmos e de interagir com os outros seja “peste”.
Jaime Milheiro: “O puritanismo americano foi certamente um despertador para tal expressão.”Trata-se de uma excelente metáfora, perfeitamente compreensível na inteligência de Freud. O puritanismo americano, mais vincado na altura do que no momento presente, foi certamente um despertador para tal expressão em tal sítio, embora a sua “peste” tenha valor universal.
João Seabra Diniz: “Freud não se considerava um empestado, mas tinha boas razões para pensar que muitos poderiam imaginar que ele andava a espalhar a peste.”Admito que Freud pudesse ter feito este comentário. Estava, desde há anos, empenhado no estudo do funcionamento do psiquismo humano. A investigação dos processos psíquicos inconscientes, bem como a descoberta da sexualidade infantil representavam elementos de grande novidade que tinham mesmo provocado escândalo. As suas concepções vinham obrigar a uma profunda revisão da imagem tradicional do homem como ser pensante, determinado por motivos racionais, e da ideia idílica que se fazia da infância e da inocência que lhe era atribuída. A grande obra que é a ‘Interpretação dos Sonhos’ é de 1900. Os ‘Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade’ são de 1905. Quando em 1909 teria proferido esta frase, tinha já ampla e dura experiência de que as suas ideias, por inovadoras e brilhantes que fossem, não só não despertavam entusiasmo mas provocavam em muitos rejeição indignada. Freud não se considerava um empestado, mas tinha boas razões para pensar que muitos poderiam imaginar que ele andava a espalhar a peste. Se de facto proferiu esta frase, a ironia que ela contem parece-me traduzir este sentimento.”
Rui Coelho: “O papel da sexualidade na estruturação identitária do indivíduo era claramente revolucionária para a época.”Penso que o termo “peste” foi empregue em sentido metafórico; isto é, o pensamento de Freud, em 1909, era praticamente desconhecido nos EUA e as cinco palestras proferidas em alemão, então, a convite do reitor da Clark University, Stanley Hall, foram posteriormente traduzidas por H. W. Chase como “The Origin and Development of Psychoanalysis” e publicadas no American Journal of Psychology, XXI: 2, 3 (1910). Assim, toda a valorização já então referida pela investigação psicanalítica acerca das relações precoces (mãe/pai/bebé) e do papel da sexualidade na estruturação identitária do indivíduo era claramente revolucionária para a época.
Eduardo Sá: “Num mundo de pessoas normalizadas chamarmos a atenção para o que temos cá dentro, seria uma janela de compreensão que, depois de aberta, não voltaria, de novo, a ser fechada”Terá proferido. Mas devemos contextualizá-lo. Freud estaria a falar de um modo metafórico. Isto quer dizer que, num mundo onde a intimidade e a subjectividade humanas pareciam ser descartáveis, chamar a atenção para os componentes animais de algumas das nossas reacções ou para a nossa competência para pensarmos, muito para além da nossa intenção para o fazermos, era – naquela altura como hoje – uma espécie de peste. Responsabilizava-nos mais como pessoas, mobilizava-nos para a autenticidade e alertava-nos para a prevalência das nossas relações significativas (quer no sentido da saúde como no do adoecer psíquicos).Num mundo de pessoas normalizadas chamarmos a atenção para o que temos cá dentro, seria uma janela de compreensão que, depois de aberta, não voltaria, de novo, a ser fechada.”
postado por Flávia Albuquerque – Psicanalista – (21) 9792-8326 / flavia@pontolacaniano.com.br ou fmaa@uol.com.br
terça-feira, 5 de maio de 2009
SENTAR-SE À JANELA
SENTAR-SE À JANELA
Alexandre Garcia
Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião.
A ansiedade de voar era enorme.
Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem.
Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens, chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.
Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o início, voar era uma necessidade constante.
As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a estar em dois lugares num mesmo dia.
No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal.
O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse.
Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido e sair rápido.
As poltronas do corredor agora eram exigência . Mais fáceis para sair sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.
Por um desses maravilhosos 'acasos' do destino, estava eu louco para voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba o mais rápido possível.
O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última poltrona. Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque.
Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar.
E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara. Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu.
Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer.
Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estavadeixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista.
Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, do meu trabalho e convívio pessoal?
Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida.
A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos.
Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar, sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a viagem nos oferece.
Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do corredor, para embarcar e desembarcar rápido e 'ganhar tempo', pare um pouco e reflita sobre aonde você quer chegar.
A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem não é anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum detalhe.
Afinal, a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Içami Tiba
1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre.
2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar alguém com internet, som, tv, etc.
3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.
4. Confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.
5. Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona.
6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai disse que não ganhará doce, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinquente. Em casa que tem comida, criança não morre de fome . Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer.
7. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.
8. Temos que produzir o máximo que podemos, pois na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio. Não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.
9. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente, pois aquela informação, de que droga faz mal, não está gerando conhecimento.
10. A gravidez é um sucesso biológico, e um fracasso sob o ponto de vista sexual.
11. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para da droga fazer uso. A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve 'abandoná-lo'.
12. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.
13. Homem não gosta quando a mulher vem perguntar: 'E aí, como foi o seu dia?'. O dia, para o homem, já foi, e ele só falará se tiver alguma coisa relevante. Não quer relembrar todos os fatos do dia..
14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.
15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.
16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se desistir ou for mal na faculdade.
17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.
18. Mães, muitas são loucas. Devem ser tratadas. (palavras dele).
19. Se a mãe engolir sapos do filho, a sociedade terá que engolir os dele.
20. Videogames são um perigo. Os pais têm que explicar como é a realidade. Na vida real, não existem 'vidas', e sim uma única vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.
21. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.
22. Pai não pode explorar o filho por uma inabilidade que o próprio pai tenha. Filho, digite tudo isso aqui pra mim porque não sei ligar o computador'. O filho tem que ensiná-lo para aprender a ser líder. Se o filho ensina o líder (pai), então ele também será um líder. Pai tem que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível o pai pagar para falar com o filho que mora longe.
23. O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. Não há hierarquia. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.
24. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.
25. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que saber qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto que isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.
26. Dinheiro a rodo para o filho é prejudicial. Tem que controlar e ensinar a gastar.
Palestra ministrada pelo Dr. Içami Tiba, Psiquiatra, em Curitiba, 23/07/08. Médico pela Faculdade de Medicina da USP. Psiquiatra pelo Hospital das Clínicas da FMUSP.. Professor-Supervisor de Psicodrama de Adolescentes pela Federação Brasileira de Psicodrama. Membro da Equipe Técnica da Associação Parceria Contra Drogas - APCD. Membro Eleito do Board of Directors of the International Association of Group Psychotherapy. Conselheiro do Instituto Nacional de Capacitação e Educação para o Trabalho "Via de Acesso". Professor de diversos cursos e workshops no Brasil e no Exterior. Criou a Teoria Integração Relacional, na qual se baseiam suas consultas, workshops, palestras, livros e vídeos. Em pesquisa realizada em março de 2004, pelo IBOPE, entre os psicólogos do Conselho Federal de Psicologia, os entrevistados colocaram o Dr. Içami Tiba como terceiro autor de referência e admiração - o primeiro nacional.
1º- lugar: Sigmund Freud;
2º- lugar: Gustav Jung;
3º- lugar: Içami Tiba.
Você não pode evitar que os problemas batam à sua porta, mas não há necessidade de oferecer-lhes uma cadeira. (Joseph Joubert)
sexta-feira, 17 de abril de 2009
EFEITOS TERAPÊUTICOS RÁPIDOS
Italo D. Venturelli
INTRODUÇÃO
Realizar este trabalho foi para mim uma experiência onde da atuação de médico para a de analista, só foi sendo possível, com o desenrolar de minha analise pessoal. Somente após cerca de dois anos de analise Lacaniana parece que consegui começar a ouvir Mari.
Trabalhando como médico neurologista, não conseguia ter a chamada “escuta analítica” permanecendo engessado na analise médica do caso.
Não consegui me aperceber da possível transferência da paciente e nem relacionar seu caso como sendo de origem emocional desde há 14 anos atrás.
Tentei por varias vezes apenas medicações, e quando de seu retorno mediquei também com a esperança de me apoiar na solução do caso com o lançamento de medicações melhores, inclusive antipsicoticos.
A questão da escuta analitica da qual me refiro diz respeito ao percurso de minha própria analise, bem como do estudo sistematizado que venho fazendo no IPLA. “Só se reconhece o que já se conhece”
Da posição que sempre tive como médico a grande mudança que aprendo, é a de é não ir falando concomitantemente com o paciente durante a sessão. Nas “consultas” que fiz e faço, logo ao inicio, os diagnósticos são lembrados e vou “explicando” para o pacientes seus sintomas, causas e até a topologia das lesões. Realmente ouvir um paciente é algo completamente novo, e parece que o tempo dura mais que o próprio tempo. Quanto tempo são 20 ou 30 minutos!! Muitas vezes parece uma infinidade, outras um lampejo.
È preciso um treinamento; Um manejo; o decorrer da analise pessoal, para que de inicio se acostume a conseguir ficar a sós consigo mesmo, se é que isto é possível, pelo aspecto de sermos indivi-duais. Pacientes que falam baixo e gritam, outros que esbravejam e se escondem. Li Freud do inicio do século como sendo um médico em seu percurso para Analista.
Em Lacan, tentei ler o analista mas para mim, ainda esta muito além.
O tema que chama a atenção alem da escuta, é a questão do diagnostico; principalmente do diagnostico diferencial com a histeria.
Acostumado aos sinais médicos ditos gerais de muitas patologias, como por exemplo febre, cefaléia , tonturas, durante a escuta deste caso por varias vezes “escutei “ e me apercebi alem dos sintomas histéricos mais comuns , traços de fobia, obcessão, homossexualismo,perversões e até paranóicos.
Durante algumas sessões Mari aparentemente falava de suas fixações com o pai, de suas perversões para com a irmã. De sua imensa fobia em relação ao seu cunhado, chegando a lembrar formas paranóicas clássicas.
Apresentava um tremor que chegava a ser tão acentuado que o divã se movia do lugar. Às vezes levantava-se do divã e ficava andando pela sala.
Seus parentes muitas vezes a levavam a outros colegas que lhe prescreviam medicações, o que atrapalhava as sessões, pois Mari chegava literalmente dopada ao consultório.
Tive que interceder e marcar uma sessão que chamarei de didática. Marquei uma reunião com seus familiares em sua residência. Discorri sobre os perigos a que a paciente estava sendo exposta. Fiz também breve menção sobre a chamada analise quando feita por leigos, padres e outros afins; Afinal nos dias de hoje todos se intitulam analistas de alguma coisa, quer seja holístico, Junguiano, Tradicional, Cristão, e mais uma infinidade de florais de Bach, e ainda mais as receitas caseiras das respectivas vovozinhas. Só assim Mari pode comparecer ao consultório sem faltar às sessões, e sem estar dopada com as medicações. Apenas a dopagem através das palavras de seu ultimo namorado, que era um pastor.
Relatarei o caso clinico e em seguida uma discussão , procurando algumas referências e embasamento do caso em Freud e Lacan.
CASO CLINICO
Efeitos terapêuticos rápidosMari “A tremedeira”
Mari vem ao meu consultório onde atendo como neurologista, no dia 15/08/1989, apresentando dores de cabeça e na face. Diagnosticado uma sinusite, bem como ansiedade e certa dificuldade para dormir.Veio acompanhada pela irmã mais nova e apesar do quadro médico ser de “apenas” uma sinusite, Mari chora.
É medicada com antibiótico , antiinflamatório, inalações e de um tranqüilizante. ( tranxilene 5 mg 2 x dia). È pedido um Rx de face.
Em 22/08/89 retorna trazendo o Rx com laudo de hipotranparencia confirmando a sua sinusite, sendo encaminhada para o tratamento com um otorrinolaringologista.Retorna 14 anos após a primeira consulta, em 29/12/2003 apresentando tremor generalizado, história de alucinações (que foram relatadas pela irmã), e alterações do pensamento. ( na data apenas especificado assim).
Trás uma história de ter sido atendida estes anos por dois colegas psiquiatras tendo utilizado vários tipos de medicamentos, tipo haldol, akineton, diazepan, fluoxetina, zyprexa etc. e estando na época em uso de Melleril e Rivotril 2mg/dia
Fazia uso de anticoncepcional ,para tratamento de alterações do ciclo menstrual e para aumentar o peso.(sic)
Clinicamente apresentava significativa redução do peso corporal ,pesando em torno de 45 kg, tendo 1.63 de altura; tontura freqüente estando em uso de stugeron 75mg 2x dia.
Durante este atendimento Mari chora muito, tem tremor em seu corpo todo, tem dificuldade até para falar, fala baixinho, e diz que apesar das medicações não consegue dormir e que teria piorado muito após a doença de seu pai que apresentou um Acidente vascular cerebral em 2002 passando a apresentar tremor e dificuldade para deambular.
Modifico suas medicações para Venfalaxina 75mg uma vez dia , e neste atendimento sugiro que apenas as medicações e algumas consultas médicas não seriam suficientes para a melhora dos seus sintomas . Inicio falando do tratamento psicanalítico, sendo aceito prontamente por ela. È marcado então sua uma primeira sessão analítica.
Mari é trazida ao consultório pelo irmão e sua esposa, os quais aguardam na ante-sala com aparente ansiedade, porem dando sinais de aprovação da escolha do médico.
Chega muito bem arrumada, com os cabelos molhados, baton, brincos, porem com tremores e falando extremamente baixo.
Certifica-se varias vezes que não existe pessoa alguma ouvindo “nossa conversa”.
Pergunto como esta passando com a medicação e faço um questionário sobre sua família e antecedentes.
Mari 34 anos é a filha do meio de uma família com cinco filhos, mora com os pais e um irmão. Os outros são casados e moram próximos .
Estudou até o segundo grau e fez curso para costureira.
Trabalhou por oito meses e saiu.
De inicio refere: Fiquei doente depois que meu pai ficou doente. Fui encaminhada novamente pela minha família para o psiquiatra mas preferi vir no senhor.Dizem que tenho depressão forte. Tenho medo de sair de casa ,fico a maior parte do tempo em meu quarto. Sou muito católica e rezo muito. Às vezes vou com minha mãe no supermercado,pois é lá em cima, mas na padaria não, porque é lá em baixo.
Não consigo ficar onde tem pessoas.
Pergunto o que mais lhe aflige atualmente.
Mari:Minha irmã mais velha vem toda segunda feira me ajudar em casa; ela é casada com José , e é dele que eu tenho mais medo ; não confio nele. Tenho medo dele falar que gosta de mim como cunhada, mas não ser verdade.
Tenho medo do filho deles que tem 15 anos. Medo que ele queira bater em mim. Sei lá o que eles se arrumam por lá.
Mariza muda o assunto e começa a falar do pai: Tenho medo que o pai de crise na rua. Ele teve avc e não pode sair sozinho senão ele cai.
Interrompo a secção. Nos vemos em 3 dias.
Mari diz: acho que falei demais e pergunta se juro que não vou contar nada a ninguém, principalmente para sua irmã.
Asseguro-lhe que não, referindo que o tratamento é apenas dela.
Retorna mais tensa, esfregando as mãos e refere :
Não sou mais a Mari de antigamente. Uma garota que saia de casa. Hoje tenho medo até do meu quarto. Tenho medo que os vizinhos achem ruim. Tem muito silencio na minha casa.
Tudo piorou com minha nossa mudança de casa. Quero me mudar. Esta foi a casa dos sonhos do meu pai . Ele saiu do aluguel. Mas aqui eles estão doentes.
Aqui tenho que combinar com minha irmã.
Ela diz que não posso ficar sem remédio de jeito nenhum.
Quando eu não tomo ela chora e também não dorme.
Quero ficar livre do akineton e do lexotan.
Interrompo a sessão
Ao inicio da outra sessão inicia falando de seus namorados, dizendo: Eles eram muito legais, mas não saiam do meu pé . Sofrem por minha causa, mas eu não quero que eles venham na minha casa. Fico com medo dele porque ele é muito exigente ,estranho, quer provocar, fica falando coisas. ( percebo que fala do cunhado). Fica muito angustiada ,chora, se levanta do divã e fica andando pela sala. Parece aterrorizada.
Passa a tremer com mais intensidade e a falar mais baixo.
Ele pede ajuda do meu irmão para os serviços, e se meu irmão não vai ele fica nervoso e rude. Sinto que ele não gosta da minha irmã. Ele perto dela não fica feliz.
Meu outro cunhado quer que eu me arrume, que saia bem vestida.
Pergunto sobre os namorados e possíveis relacionamentos sexuais
Mari se desconcerta e pergunta se precisa responder.
Digo para que ela fique a vontade e quando penso em fundamentar minha pergunta Mari dispara e fala:
Transei apenas uma vez, com um namorado que tive durante dois anos.
Foi ruim. Quase nem percebi direito. Me desiludi. Acho que era noivo em outro lugar. Ele foi embora pra casar.Tenho medo do meu pai saber e se desiludir também. Tudo isso deve ser bobeira minha. ( Sorriso da Monalisa)
Interrompo
Retorna e após os cumprimentos rapidamente se deita e diz:
Tenho medo de ser usada e jogada fora. Sinto falta de não ter tido um filho. Fico muito pensativa.Tenho medo de engravidar e ficar sozinha.
O pai disse que se eu engravidar tenho que sair de casa.
Todos os meus irmãos casaram com o primeiro namorado.
A mais velha namorou sete anos, a segunda também.
Interrompo
Mari retorna dizendo já na ante-sala que arrumou um namorado.
Ele é motorista comprou uma moto, falou que é só amizade, mas não é.
Ele é pastor de uma igreja evangélica e quer que eu mude de religião.
Me trouxe um monte de livros evangélicos , sabonetes e mel
(falou sem tremer). Começou a querer só beijar, mas tenho medo do que os vizinhos vão falar. Longa pausa. Quero fazer alguma coisa,pois ainda nunca fiz nada. Pausa. Morro de medo de cachorro.
Interrompo
Retorna somente após 15 dias, faltando em 2 sessões.
Já to dando coragem de sair de casa e tenho ido ao mercado lá em cima. Sou moça de igreja, mas quando vou lá tenho vontade de chorar, mas falo com o pastor. Ele vai lá em casa, mas eu soube que ele é casado e tudo mais.
Discussão
Incluo o caso em efeitos terapêuticos breves em relação aos tremores de Mari e de sua possibilidade em sair de casa.
Seu atendimento durou cerca de três meses e acredito que ela tenha se beneficiado ,pois não utiliza mais medicações, e aparenta estar menos angustiada. Consegue sair de casa e dirigir-se ao supermercado ( Que é lá em cima).
Aponto o caso Elisabeth do Dr Freud onde esta também é apaixonada pelo cunhado e cortejo algumas semelhanças com o caso de Mari
Caso Elisabeth
Natural da Hungria é atendida em 1892, onde não utilizando a hipnose Freud aperfeiçoou uma técnica de concentração e chamou o método de análise psíquica, o que o levou mais tarde a dizer que Elizabeth fora a primeira mulher a ser tratada e curada pela psicanálise.
Estudou a rebeldia para falar e o mecanismo de esquecimento voluntário.
Estudou a rebeldia para falar e o mecanismo de esquecimento voluntário.
(Resistência)
A dor e o gozo- grave doença e morte do pai- A belle indifference- Expressão facial não se ajusta ás dores- Aceitação imediata do método psicanalítico após algumas explicações- Parece que guardava um segredo- isolamento social- Queixa contra o cunhado- Um segundo cunhado educado- reclusão quase completa- A dor se esgota pela fala- Alguns encontros com namorados- Mecanismo de conversão com a finalidade de defesa- tremores participavam da conversa durante as sessões de analise ( durante a influência da lembrança)- utilização dos tremores como bússola para minha orientação.
No caso Mari os tremores se intensificavam de tal forma que era necessário o estimulo a novas lembranças para que um verdadeiro pânico não a acometesse. Eu percebia que os tremores voltavam lentamente e que sua voz ficava mais e mais baixa na medida em que nos aproximávamos de suas fantasias com o cunhado.
Parece incrível que Mari mesmo com seu bom nível cultural e intelectual não se apercebesse ou não conseguisse se aperceber do seu próprio discurso.Tive que resistir inúmeras vezes à tentação de decifrar-lhe rapidamente seu segredo, porem sabia que se o fizesse talvez jamais alguém conseguiria alcançar a verdadeira Mari dos tremores e temores.
No curso da analise oscilações de melhora espontânea. Encorajamento para que saísse de casa – ( no caso Mari para que fosse ao Supermercado)-
Desejo de ser feliz como a irmã.
Freud aqui refere uma paralisia baseada na simbolização ( resultado terapêutico baseado ainda em uma analise incompleta).
Sentia pelo cunhado uma “ternura” cuja aceitação na consciência depara com a resistência de todo o seu ser moral.- uma conversão bem sucedida- Representações relativas ao seu amor separados do seu conhecimento.
Freud conversa com a mãe da paciente.
Teoria conversiva da histérica: Recalque de uma idéia erótica fora da consciência e transformação da carga de seu afeto em sensações físicas.
Evidencia a necessidade do amor de um homem.
Sobre a Resistência e a transferência Freud refere: “Acabei encontrando uma saída para todas essas duvidas através do plano de tratar todas as outras neuroses em questão da mesma forma que a histeria. A etiologia das neuroses deve ser buscada em fatores sexuais”.
Quanto ao exposto do aparente não saber Freud cita: “O não saber” do paciente histérico seria, de fato um “ não querer saber”- um não querer que poderia, em maior ou menor medida, “ser consciente”.
“A tarefa do terapeuta esta em superar através do seu trabalho psíquico esta resistência à associação”.
“Ao que parece é por meio do recalcamento que a idéia se transforma na causa dos sintomas mordidos, torna-se patogênica.
No caso Mari
Qual é o sintoma = Intenso tremor. Fobia socialQue tipo de sintoma = InibiçãoQual o sintoma analítico= Medo do que os outros irão falar dela.Amor pelo cunhado. História familiar. RelatadaQual a queixa: Não consigo parar de tremer (sic)Qual a fixação (onde fixou): Patologia do PaiQual a fantasia: Transar com o cunhadoGanho secundário: Gozo perverso em sua relação com a irmã.Qual a estrutura: HistéricaTraços:Fóbicos e perversos
Qual é o caso do caso clinico: Paciente com estrutura histérica apresentando traços de fobia e perversos. Histérica na busca de um Mestre.
Algumas citações em Lacan sobre a histeria.
Em Lacan cito o Seminário 17 O avesso da psicanálise onde desde a produção dos quatro discursos ilustra o discurso da histérica como no Capitulo II em O Mestre e a Histérica.
“Um saber que não se sabe .A histerização do discurso. O saber e a verdade. O semi-dizer. Enigma, citação e interpretação. Aqui enuncia com matemas os quatro discursos. Cito o Capitulo III, sobre o Gozo, onde Lacan insiste : A linguagem é a condição do Ics; seguimos para a pág 40, em A posição do analista que é feita substancialmente do objeto a. Pág 41 – No nível do discurso da histérica essa Dominante aparece sob a forma do sintoma. È em torno do sintoma que se situa e se ordena o discurso da histérica. O Analista tem que representar aqui de algum modo, o efeito de rechaço do discurso, ou seja, o objeto a. Pág 43 vem referir-se ao Gozo, articulando com a repetição. Pág 44 cita o Principio do Prazer. Repetição como retorno ao Gozo. O analista parte de uma virada, que é onde o saber se depura, de tudo o que pode criar ambigüidade com um saber natural. Não há certamente nada de parecido. Pág 66 “ O saber é coisa que se diz, que é dita. O saber fala por conta própria- eis o Inconsciente. Pág 69 “Fazer a histérica simbolizar a insatisfação primaria. Pág 82, onde cita o termo Pai 87 com outros matemas sobre a histérica. Pág 111. “A histérica quer um Mestre”.
Segundo Lacan, quando alguém nasce, busca entender o que ele é, e acaba por se espelhar nos outros o estágio do espelho), e essa é uma imagem falsa, pois ele só vê uma cópia dos outros, e não o "eu". Então o indivíduo acaba por perder esse "eu", que é inato e não socialmente constituído.As falas do indivíduo exprimem vários significantes, mas estes acabam por não atingir nenhum significado, na medida em que a estrutura (o eu) é inatingível. Logo, sua individualidade é determinada por uma forma vazia e, para Lacan, impossível de se conhecer. Logo o significante remete a outros significantes.O signo é arbitrário, o conceito não é criado a partir da coisa, mas sim determina o que é a coisa, logo, nada é explicável empiricamente.Vivemos no plano da fala, aonde o conteúdo é inatingível (plano do simbólico), as imagens (falsas) que temos sobre nós e os outros são o plano do imaginário, e o Plano do Real é inatingível (estrutura).Mesmo se chegássemos ao conhecimento de uma dada estrutura, só conheceríamos a forma dessa, e nunca o conteúdo.
Lacan introduziu a questão do desejo que tinha sido escamoteada por Freud como figura clínica principal. O desejo como preenchimento de um vazio estrutural. Portanto a estrutura não é inatingível mas incontornável. O vazio esse sim é passível de sucessivos e intermináveis preenchimentos, sendo esta a questão fulcral da permanente crise do ser humano.A psicanálise lacaniana visa à auto-experienciação pela vivência da travessia, no processo de análise, dos fantasmas que estruturam as existências individuais. Lacan introduziu a heterogeneidade no processo analítico contra uma uniformidade e pseudo-previsibilidade a que os post-freudianos conduziram a clínica psicanalítica.
Lacan foi o grande pensador da psicanálise francesa do século XX. A partir de alguns novos instrumentos dos pensares contemporâneos (Antropologia, Lingüística, Topologia e, indiscutivelmente, as filosofias de Hegel, Kojève e Heidegger), ele elaborou uma série de densas questões para a psicanálise, com o mote "retorno a Freud". Para Lacan, o psiquismo inconsciente se estrutura como linguagem. A Linguagem se estabelece à moda de Saussure, ou seja, como conjunto de significantes e significados, de modo uno e indivisível, pois determinados em união (reunião diria Heidegger, Versammlung). Os significantes são letras indivisíveis e suas diferenças se marcam por sua inscrição numa cadeia unitária (de significantes), único lugar no qual se distinguem. Assim sendo, é preciso que o significante (pois se trata de UM) se destitua de suas características sensíveis, pois ele só existe a partir do Outro da linguagem e só se relaciona com outros significantes.
O que organiza tal Outro é um centro, que contém ou deveria conter sua Verdade Única. Lacan postula que tal centro é A Falta e que os indivíduos só se constituem como sujeitos a partir de sua determinação. Ou seja, o sujeito está remetido ao centro mas ele não o tem; os sujeitos são devedores permanentes da Falta (a ela assujeitados) que os constitui.
Quanto às representações e idéias, as que não se reconhecem em tal centramento simbólico constituído pela Falta, são imaginárias. Ser simbolicamente é saber (e por aí temos grave questão: como seria tal saber inconsciente?) de sua constituição ec-cêntrica, pois a cadeia dos significantes insiste sobre sua própria organização. Ao mesmo tempo, sendo a Linguagem e sendo por ela pensado, o Simbólico reconhece a Falta que constitui as subjetividades, mas que lhes é exterior: tal seria a Lei de O Desejo.
Portanto, a letra só pode ter caráter unitário, e sua Lei ordenadora é o retorno à cadeia dos significantes, único lugar no qual ela faz sentido. O sujeito depende da letra, que é seu "elementar". Para Lacan, a letra sempre chega à sua destinação, porque os significantes têm uma Lei única (e, consequentemente, uma única memória, a posteriori, nachträglich) de sua constituição. Na obra lacaniana, a letra retorna sempre e tem um único destino, determinado pela cadeia significante.
É claro que um criador como Lacan não é dogmático. Ao longo de seu pensar vamos aprendendo acontecimentos desejantes que não se determinam unicamente pelo significante. Num exemplo importante, a noção de gozo, que diz respeito à Unheimlichkeit, ao não-familiar/familiar, doméstico/indomesticado, aí onde o sujeito não mais se remete ao Outro que o constitui desejantemente, mas imediatamente à coisa faltante (das Ding). Nesta extimidade (Lacan) se reúnem o mais estranho e ao mesmo tempo o mais íntimo; onde a cadeia significante não dá mais conta da subjetividade e vigora o mais elevado gozo. No gozo, há uma insistência de recusa do Nome do Pai, que é o que articula a cadeia significante e O Desejo.
Percorro no texto de Freud frases e trechos, onde evidencia-se as dificuldades para se descrever os sintomas da histeria, bem como onde existe mais de um diagnostico.
Procuro sintomas parecidos com os tremores e suas discussões.
Marco frases para discussão.
Textos de Freud
Por ‘transferência‘ quer-se dizer uma peculiaridade marcante dos neuróticos. Eles desenvolvem para com seu médico, relações emocionais, tanto de caráter afetuoso como hostil, que não se baseiam na situação real, mas que derivam de suas relações com os pais (o complexo de Édipo). A transferência é uma prova do fato de que os adultos não superaram sua antiga dependência infantil; ela coincide com a força que foi designada como ‘sugestão’; e é somente aprendendo a fazer uso dela que o médico fica capacitado a induzir o paciente a superar suas resistências internas e a eliminar suas repressões. Dessa forma, o tratamento analítico atua como uma segunda educação do adulto, como um corretivo da sua educação enquanto criança.
Dentro desse estreito âmbito foi impossível mencionar muitos assuntos do maior interesse,tais como a ‘sublimação‘ dos instintos, o papel desempenhado pelo simbolismo, o problema da ‘ambivalência‘ etc. Nem houve espaço para aludir às aplicações da psicanálise - originadas, como vimos, na esfera da medicina - a outros setores do conhecimento (como a antropologia social, o estudo da religião, a história literária e a educação), onde sua influência vem constantemente aumentando. Basta dizer que a psicanálise, em seu caráter da psicologia dos atos mentais inconscientes mais profundos, promete tornar-se o elo entre a psiquiatria e todos aqueles outros ramos da ciência mental.
Descrição dos sintomas pelo Dr Freud
As contraturas musculares são muito freqüentes.As característica das contraturas é de serem exageradas- uma contratura histérica causa a maior retração de que um músculo é capaz.
Uma outra característica muito importante dos distúrbios histéricos é que estes de modo algum representam uma cópia das condições anatômicas do sistema nervoso. Pode-se dizer que a histeria é tão ignorante da ciência da estrutura do sistema nervoso como nós o somos antes de tê-la aprendido. Os sintomas de afecções orgânicas, como se sabe, refletem a anatomia do órgão central e são as fontes mais fidedignas de nosso conhecimento a respeito dele.Por essa razão, temos de descartar a idéia de que na origem da histeria esteja situada alguma possível doença orgânica.
Uma psicose, no sentido psiquiátrico do termo, não faz parte da histeria, ainda que possa desenvolver-se sobre a base do estado histérico, nesse caso devendo ser considerada uma complicação.
SINOPSES DOS ESCRITOS CIENTÍFICOS DO Dr. SIGM. FREUD 1877-XXIV
“Sobre o mecanismo psíquico dos fenômenos histéricos.”(Comunicação preliminar em colaboração com o Dr. J. Breuer.) 1893a.. As lembranças reveladas como “patogênicas”,como as raízes dos sintomas histéricos, são sistematicamente “inconscientes” para o paciente. Parece que, por permanecerem inconscientes, elas escapam ao processo de desgaste a que o material psíquico é normalmente submetido. Esse tipo de desgaste é promovido pelo método da “ab-reação”. As lembranças patogênicas evitam ser tratadas pela ab-reação, seja porque as experiências correlatas ocorreram em estados psíquicos especiais a que as pessoas histéricas são intrinsecamente propensas, seja porque tais experiências foram acompanhadas por um afeto que acarreta um estado psíquico especial nas pessoas histéricas. Conseqüentemente, uma tendência à “divisão (splitting) da consciência” é o fenômeno psíquico básico nos casos de histeria.
Citamos :Da Palavra ao gesto do Analista Dr Jorge Forbes refere, segundo Lacan, a respeito da vacilação calculada da neutralidade.
È necessário que o analista suporte este saber fazer.Publicar é preciso
Termino com a frase provocativa: O que Mari quer de mim ?
Referencias bibliográficas
Obras do Dr Freud sobre a HisteriaSeminário 17 J. LacanDa Palavra ao gesto do analista
Dr Jorge. Forbes
Genética e Psicanálise
*Por Mayana Zatz
O diagnóstico de uma doença genética pode causar um impacto muito negativo nos pacientes afetados e nos seus familiares. Como ajudar as pessoas a lidar com o diagnóstico de uma doença que freqüentemente tem caráter progressivo e pode atingir vários membros de uma mesma família? Essa tem sido uma preocupação antiga. Há cerca de dois anos, o médico psicanalista Jorge Forbes e sua equipe nos propuseram uma nova abordagem psicanalítica e desde então eles vêm interagindo com os nossos pacientes. Os resultados têm sido surpreendentes.
VEJA.com - Qual é o impacto que o diagnóstico de uma doença neurodegenerativa causa no paciente e nos seus familiares?
Jorge Forbes - O primeiro impacto é um grande ponto de interrogação. Surgem perguntas aflitas querendo mais detalhes da doença e, especialmente, da sua evolução, de em quanto tempo os sintomas vão se agravar. A pessoa, passado o momento inicial geralmente vivido com raiva e revolta, é levada a se resignar ao seu 'triste destino'. Por sua vez, a família entra em um estado de compaixão, pelo doente. Instala-se assim um perigoso vírus social que nomeamos de RC, iniciais de Resignação e Compaixão, que prejudica a pessoa em ao menos dois aspectos: piora o estado imediato da doença, pela precipitação do sofrimento, e piora a evolução da doença, pois a resignação é terreno fértil para velocidade dos processos mórbidos.
VEJA.com - Como quebrar esse círculo vicioso: resignação e compaixão?
Jorge Forbes - O fundamental é devolver à pessoa afetada a responsabilidade pelo seu destino, fazendo ela sair do estado de sofrimento "prêt-à-porter", no qual ela tende a se alienar. A quebra desse círculo vicioso e viciado, se dá por uma posição psicanalítica que, manejando a angústia, facilita o deslocamento da posição resignada. Temos vários exemplos para ilustrar o 'como' se faz isso.
VEJA.com - O que é sofrimento prêt-à-porter?
Jorge Forbes - É um dos comportamentos padronizados pela nossa sociedade. É a roupa emocional que vestimos quando não sabemos bem como expressar o que sentimos.
Por exemplo: espera-se que você se divirta quando vai a Disneylandia e que chore quando toma injeção.
VEJA.com - Uma pesquisa recente, publicada na revista americana PNAS mostrou pela primeira que fatores ambientais podem mudar a expressão dos genes. O trabalho foi feito em pacientes com câncer de próstata.
Você acha que isso poderia também ocorrer com os genes cerebrais?
Jorge Forbes - Penso que sim, com os genes cerebrais e com qualquer outro tipo de gene. Temos que diferenciar uma mutação ou erro em um gene, de sua expressão gênica - o modo como ele se manifesta. Dois gêmeos univitelinos, ou seja, dois clones, freqüentemente mostram como um mesmo defeito em um gene pode causar quadros muito distintos. Em um, leve tremor na mão, no outro, paralisia do braço inteiro. É um dos motivos que nos certificam que não há biunivocidade ou uma correlação direta entre genótipo e fenótipo, ou seja, nada, por mais grave que seja, é capaz de eliminar a subjetividade humana e, por conseguinte, a responsabilidade de cada um sobre o seu destino.
*Geneticista e diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano (USP)
Fonte: Veja.com
quarta-feira, 1 de abril de 2009
MAIÊUTICA FLORIANÓPOLIS

Atividade aberta e gratuita.
ESCUTANDO IMAGENS: Psicanálise e Cinema
Asas do Desejo (Filme de Win Wenders)
Local: Sede da Maiêutica
17 de Abril - Sábado.
As 19:30h.País de origem: Alemanha
Ano: 1987
Duração: 130 minutos
Diretor: Win Wenders
Um marco do cinema na década de 80, Asas do Desejo, narra a disputa entre o divino e o efêmero nesta reflexão de Wim Wenders sobre a existência humana.
Na Berlim gélida e devastada do pós-guerra, um batalhão de anjos vela pelas almas perdidas que sofrem e se desesperam em silêncio, como os anjos Daniel e Cassiel.
Eles assistem às desventuras terrenas, mas não podem sentir as dores e alegrias humanas. Daniel não escapa incólume de sua condição divina, ao se apaixonar pela trapezista Marion e não poder consumar seu desejo. Para poder tocá-la, ele deve deixar de ser anjo e tornar-se humano, perdendo sua condição imortal. Para guiá-lo em sua escolha, surge Peter Falk, um anjo caído que soube fazer a transição entre os dois mundos.
Com uma lentidão cercada de imagens em cor e preto-e-branco, focalizando o olhar de anjos e homens, Wenders construiu um dos filmes mais poéticos da década de 80.
Coordenação: Alberto Philippi May
Debatedores: Andrea Alvarenga
Ana Virginia Rizzi
Claudemir Flores
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