quarta-feira, 29 de julho de 2009

WORKSHOP
VOCÊ SABE “FAZER”DINHEIRO?


Através da Abordagem Sistêmica trabalharemos a sua relação com o dinheiro, os padrões e crenças que influenciam os diversos aspectos da sua vida, a fim de tornar essa relação mais equilibrada.
Com este workshop você irá:
Compreender e vivenciar as ligações entre dinheiro e emoções, bem como a importância e amplitude que o dinheiro provoca na carreira e em todos os relacionamentos de vida.
Identificar no seu padrão familiar a sua relação com o dinheiro;
Identificar suas crenças relacionadas ao dinheiro;
Identificar e desbloquear as questões ligadas a dinheiro e finanças em todas as áreas da vida: pessoal, familiar, profissional, afetiva.
Avaliar seu próprio CAPITAL HUMANO como maior bem PESSOAL e PROFISSIONAL.
Desenvolver novas aptidões
Integrar o físico e material às emoções, desenvolvendo os TALENTOS
Elaborar novas metas que propiciem o seu SUCESSO
Metodologia:
O Workshop se realizará em 2 módulos, através de vivencias práticas e exposição teórica. O trabalho em grupo propicia um alargamento de visão, assim como estimula a cada um a acessar a sua própria história.

Abordagem:
Utilizaremos a Abordagem Sistêmica como base do nosso trabalho, além de exercícios e vivencias psicodramáticas. Conhecimentos multidisciplinares serão utilizados: Psicologia, Economia, Cibernética, Psicodrama, Psicologia Breve, Hipnoterapia.

DATA: Dias 20 e 27 de Agosto de 2009
HORARIO: 19:00h às 22:00h
LOCAL: Espaço Famille - Av. Rio Branco 404-Ed Planel Towers-Torre II-Sala 1101-Centro-Florianópolis
INVESTIMENTO: 100,00 (2 Encontros)
PÚBLICO ALVO: Psicólogos, Professores, Profissionais Liberais, Líderes de Equipes, Coordenadores, Empresários e todos aqueles que desejam compreender mais à respeito do dinheiro, do seu singular significado e conseqüências práticas para a vida futura.
INFORMAÇOES E INSCRIÇOES:(48) 3223-0944/9626 5401 /jackiekauffman@hotmail.com

Facilitadoras:
Luciane Altenburg - CRP 12/03326- Psicóloga -Terapeuta Familiar Sistêmica– Hipnoterapeuta- Psicoterapeuta Breve Analítica –Consultora Clinica Organizacional
Jacqueline Kauffman - CRP 12/06932- Psicóloga- Terapeuta Familiar Sistêmica –Psicodramatista Terapêutica e Sócio Educacional-Consultora Clínica Organizacional
Jackie Kauffman

terça-feira, 28 de julho de 2009

XV Ciclo de Cinema e Psicanálise


Filme: Juno
Debatedoras:
Maria Inês Gasperini - Médica e Educadora Sexual
Ana Paula Casagrande Darós - Psicóloga Clínica e Associada do CEPSC
Data: 29 de julho de 2009
Local: Auditório do Ed. Casa do Barão, Av. Othon Gama Deça, 900
Horário: 18h30min: Exibição do Filme
20h30min: Início do Debate
Entrada Franca

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Pesquisitices

Artigo de Jorge Forbes publicado na revista WELCOME Congonhas, abril de 2009 - ano 2 - número 24

A mania de pesquisa que assola o mundo gera falsa segurança e cria nova doença

É preocupante escutar em um congresso recentemente patrocinado pela principal universidade da América Latina, a USP, um bem apresentado pesquisador das neurociências dizer algo mais ou menos assim: -“Finalmente a ciência vai trazer as respostas ao mundo sobre as quais filósofos nunca conseguiram se entender, a saber: onde se localiza no cérebro o amor, a inveja, o ciúme, o gosto, e, em decorrência, poder intervir farmacologicamente sobre eles, trazendo o alívio que a Filosofia e a Psicanálise nunca foram capazes de oferecer, apesar do tempo que a ciência lhes deixou para tanto”. As mil e duzentas pessoas ali presentes, a maioria jovens recém formados nas áreas biológicas, acharam tudo natural, da mesma forma que Vinícius dizia que acabamos por achar Herodes natural.
Um médico, diretor de pesquisas de um laboratório farmacêutico, ao ouvir essa boa nova, animadíssimo deixou escapar: - “É isso mesmo, nós, por exemplo, em pouco tempo estaremos prontos para lançar um remédio específico para o Id”. Foi apartado simpaticamente por um psicanalista que lhe propôs batizar o novo medicamento de “Idi-ota”, na certeza do seu sucesso.
Estudos dessa espécie, se assim merecem ser chamados, pululam em reconhecidos centros de pesquisa do mundo ocidental, generosamente pagos por agências governamentais de fomento à pesquisa. É o povo pagando pelo velho sonho da felicidade encapsulada e recebendo de presente o pesadelo reducionista do apagamento da subjetividade humana.
A epidemia dessas pesquisas esquisitas, que de tantas já merecem um diagnóstico, proponho: PESQUISITICES, se explica pelo desbussolamento humano na era da globalização. No mundo anterior - chamado de moderno, ou industrial - o laço social, ou seja, os modos de comportamento das pessoas, era gerenciado por padrões verticais de identidade: na família, o pai; no trabalho, o chefe; na sociedade civil, a pátria. No mundo atual, a ligação entre as pessoas se horizontalizou; os padrões não são mais unitários, mas múltiplos, o que aumenta muito a responsabilidade de cada um frente às suas escolhas. E isso angustia, daí a ânsia de que algum estudo empírico restabeleça a ordem vertical perdida e assegure o sucesso a quem disciplinadamente seguir o que lhe for prescrito “cientificamente”.
Pesquisar, no sentido de certas pesquisas empíricas, quer dizer encontrar a cifra que represente cada uma das experiências que se quer estudar. Nesse caso, só se pode pesquisar o que for passível de ser filtrado pela palavra. Parte-se necessariamente do princípio de que tudo pode ser nomeado, e aí reside o engano. O mais essencial da experiência humana não tem nome, nem nunca terá, o que explica a característica básica dos homens: a criatividade. É paradoxalmente obscurantista a ciência que não vê o invisível do desejo; acaba promovendo o ridículo em nome de uma segurança enganosa.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Michael Jackson


Avesso do Avesso


Foi no momento da esperança que Michael Jackson morreu: foi quando o mundo inteiro esperava seu retorno na velha Londres. Ele quebrou as tradicionais bancas de apostas que se dividiam entre o sucesso estrondoso ou o aplauso de consolação; nem um nem outro, a cada qual agora de decidir, em seu próprio sonho, como foi o último show.Não perguntem a um psicanalista sobre as doenças psíquicas do menino de Ben. Primeiro porque não se diagnostica à distância, segundo, e mais importante, porque a genialidade de Michael Jackson não cabe em nenhum enquadramento psicopatológico. Michael Jackson não foi o maravilhoso artista porque sofria, mas por ter sabido em sua arte ser maior que o sofrimento que deixava transparecer e que lhe causou tantos problemas. Seria muito reducionista pedir o aval freudiano à historinha pronta a ser acreditada: filho caçula de um pai tirânico, tendo sua infância roubada por uma imposição de trabalho e sucesso, o moço não teria outra opção na vida adulta se não recuperar, em parques de diversões fora de data e em compras compulsivas, a alegria infantil um dia proibida. Por favor, não! Essa história pode explicar muita gente, mas não faz um Michael Jackson. Nenhum diagnóstico que colemos a Michael Jackson explicará a química de alguém que fez o mundo andar na Lua. Suportemos o silêncio de sua morte e de seu sofrimento. Sua música e seus gestos é o que ele nos deixa eternamente.


Jorge Forbes (psicanalista) São Paulo, 25 de junho de 2009


sexta-feira, 26 de junho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Bullying: do conto infantil à tragédia social


Para investigar uma das modalidades de violência que mais cresce e ameaça crianças em todo o mundo, a convulsão social bullying, o Conexão Professor entrevistou a Professora Tania Zagury, que, além de tratar o fenômeno em seu acervo literário, é também filósofa e mestre em Educação. Autora de, entre outros, Limites sem Trauma, Educar sem Culpa e Encurtando a Adolescência, Tania procura alarmar familiares e pedagogos para a emergência na detecção e no tratamento do problema. Confira aqui a entrevista:

Conexão Professor (CP) - Que contexto potencializa o bullying?
Tania Zagury - Ambientes altamente competitivos; sociedades individualistas que desprestigiam a racionalidade, o saber e os valores humanos; famílias onde a injustiça, as agressões físicas ou nas quais a tônica é a falta de autoridade dos pais são fatores que, conjugados, favorecem o aparecimento do fenômeno. O bullying compreende todo o tipo de agressões , intencionais, repetidas e sem motivo aparente, que um grupo de alunos adota contra um ou vários colegas, em situação desigual de poder, causando intimidação, medo e danos à vítima. Pode apresentar-se sob várias formas, desde uma simples "gozação" ou apelido (sempre depreciativo), passando por exclusão do grupo, isolamento, assédio e humilhações, até agressões físicas como chutes, empurrões e pancadas. Pode incluir também roubo ou destruição de objetos pessoais. Portanto, uma briga entre dois alunos, no pátio da escola ou na hora da saída, não caracteriza bullying, que ocorre sempre numa situação em que a vítima está em desvantagem física e/ou emocional. É importante esclarecer que não é fenômeno novo, embora atualmente venha se tornando mais violento e, em alguns casos, acabando de forma trágica, dada a facilidade de aquisição de armas e à exposição excessiva e enfática que a mídia dá a casos semelhantes, especialmente quando envolve indivíduos com forte labilidade emocional.

CP - É possível traçar o perfil de um potencial agressor e de um potencial agredido?
Tania Zagury - Em geral, os agressores são pessoas com pequeno grau de empatia, oriundos de famílias desestruturadas, ou que não trabalham adequadamente a questão dos limites, nas quais não há bom relacionamento afetivo ou em que a agressão física é comumente utilizada como forma de solucionar conflitos. Já as vítimas são, em geral, pessoas tímidas, sem muitos amigos, introvertidas e pouco sociáveis, com baixa capacidade de reação a esse tipo de situação. São geralmente inseguras, têm baixa auto-estima e pouca esperança de conseguir ajuda por parte de colegas ou dos adultos responsáveis por elas. É bom ressaltar, porém, que, em se tratando do ser humano, nem sempre as coisas ocorrem de forma tão linear, nem são totalmente precisas.

CP - Como detectar e tratar o distúrbio?
Tania Zagury - A detecção é difícil, porque o bullying é sempre praticado de forma dissimulada, em locais em que seja difícil a visualização do que está ocorrendo ou em momentos em que os adultos não estão presentes ou se distraem momentaneamente. Portanto, o que de melhor se pode fazer é criar redes de proteção aos que presenciam ou sofrem tais agressões, de forma que se sintam seguros para denunciar o fato sem se sentir em risco, ou seja: é preciso trabalhar preventivamente, criando redes de proteção para estimular e reforçar a possibilidade de denúncia. Trabalhar de forma a deixar claro para toda a comunidade que haverá sanção aos agressores intimida bastante e costuma diminuir o percentual de ocorrências, enquanto que a impunidade, pelo contrário, estimula e faz aumentar a incidência.

CP - Quem deve estar atento e pode ajudar?
Tania Zagury - Quanto mais se estuda o assunto, mais claro fica que, tanto os educadores nas escolas quanto a família devem agir de forma proativa e assertiva. A intervenção dos adultos e a atenção ao problema devem ser estimuladas em todos os níveis. De preferência, criar e divulgar os mecanismos disponíveis para que as vítimas potenciais e os expectadores (são os que já presenciaram casos de violência contra colegas) sintam-se fortalecidos e estimulados a apontar os agressores.

Conexão Professor (CP) - O que explica o maior ou o menor número de casos dentro de uma instituição escolar? Onde mais o distúrbio pode se manifestar?
Tania Zagury - Quanto maior a certeza de impunidade, maior a freqüência de ocorrências. O problema é mais freqüente nas escolas, mas pode ocorrer também em clubes, condomínios ou quaisquer outros locais freqüentados com certa regularidade por crianças e adolescentes, de forma tal que permita os grupos se formarem e as vítimas potenciais serem detectadas pelos agressores.

CP - Que comprometimentos emocionais a criança pode desenvolver a partir do bullying? De que forma o distúrbio interfere na construção psicológica dos envolvidos?
Tania Zagury - A longo prazo, o bullying - se não combatido de forma eficaz - pode levar à sensação de impunidade e, conseqüentemente, a atos anti-sociais, dificuldades afetivas, delinqüência e crimes graves. Pode também levar a atitudes agressivas no trabalho, na escola ou na família. De repente, aparentemente sem causa específica, um jovem entra numa escola, matando e ferindo. Não estou afirmando que o bullying é sempre ou unicamente a causa ou a origem dos assassinatos em massa cometidos por jovens, mas parece haver ligação entre os dois em vários casos - o que torna essencial tomarmos em nossas mãos a prevenção do problema. Mesmo não chegando a extremos como este, a violência gratuita e covarde precisa e deve ser combatida com firmeza.

CP - Que tipos de discriminação levam à violência entre as crianças?
Tania Zagury - Tudo e nada ao mesmo tempo: qualquer diferença individual ou social pode ser motivo de perseguição. Por exemplo, uma criança gordinha ou muito baixa; mais escura ou muito clara; sardenta ou ruiva; mais alta do que a média; dentuça ou a quem faltem dentes... Enfim, aquelas que se diferenciam da média. Pode ser também o mais bonito, o mais "paquerado"; o que tem mais roupas ou é admirado pelos professores, o que só tem notas altas. O bullying é mais freqüente entre meninos; entre as meninas assume forma diferente: em geral, a exclusão ou a maledicência são as armas mais comuns.

CP - Que medidas devem ser adotadas diagnosticado o distúrbio?
Tania Zagury - Nas escolas, sugiro algumas medidas importantes:
- Treinamento para instrumentalizar todos os que lidam com alunos, no sentido de estarem atentos e aptos a perceber tentativas de intimidação ou agressão entre estudantes. Para tanto, é preciso conhecer sinais, perceber sintomas e atitudes que caracterizam vítimas e agressores;- Segurança e clareza do corpo técnico sobre medidas para intervir adequadamente;- Assegurar, através de exposição clara nas turmas, que tanto vítimas como expectadores terão sempre a proteção e o anonimato garantidos;- Implantar um esquema institucional de responsabilização para os agressores, de preferência não excludente, mas no qual agressores arcarão com as conseqüências de seus atos.- Procurar revestir as sanções de caráter educativo; excluir pura e simplesmente não forma consciência, nem transforma agressores em bons cidadãos.- Fortalecer os que sofrem ou presenciam o bullying, oferecendo canais de comunicação que garantam a privacidade dos que se disponham a falar;- Treinar a equipe da escola (em todos os níveis), de forma a adotar forma única e homogênea de agir nesses casos, para que todos se sintam protegidos: corpo técnico, alunos-vítimas e expectadores (só assim o silêncio se romperá);- Incorporar ao currículo medidas educacionais formadoras, a serem trabalhadas por todos os professores, independentemente da matéria, série ou grupo, dando-se especial ênfase ao desenvolvimento de habilidades sociais tais como: saber ouvir; respeitar diferenças; ter limites; saber argumentar sem discutir ou agredir; ser solidário; ter dignidade; respeitar o limite e o direito do outro etc.
Na família, por outro lado, a ação dos pais ou cuidadores deve focar:
- a questão dos limites;- a formação ética dos filhos;- a não aceitação firme do desrespeito aos mais velhos e/ou mais fracos.
Isto é, a família deve reassumir o quanto antes o seu papel de formadora de cidadãos, abandonando a postura superprotetora cega e a crença de que amar é aceitar toda e qualquer atitude dos filhos, satisfazer todos os seus desejos, não criticar o que deva ser criticado e nunca responsabilizá-los por atitudes anti-sociais.

CP - Videogames e filmes violentos podem gerar na criança a assimilação de práticas agressivas, funcionando como motores do bullying?
Tania Zagury - Estudos recentes mostram que há correlação positiva entre agressividade e número de horas que as crianças ficam em frente da tevê, assistem a filmes violentos ou jogam videogames com temática violenta. Quer dizer, quanto mais tempo e mais precocemente começam, maior probabilidade de incorporarem como naturais e aceitáveis atitudes agressivas ou violentas. Alguns estudos detectaram, inclusive, mudanças de comportamento em crianças pequenas, poucas horas depois de expostas a programas com esse tipo de conteúdo. De qualquer forma, é importante saber que nem toda brincadeira agressiva irá "obrigatoriamente" gerar atitudes de bullying, mas é importante alertar que não se pode ignorar e que nos remete, mais uma vez, à questão dos limites que, tanto pais como docentes, precisam desenvolver nas novas gerações.
janeiro/2009

Bullying - 27/04/2009

Assista ao comentário de Luiz Carlos Prates no Jornal do Almoço.

http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=60455&channel=47

sábado, 20 de junho de 2009

INFORMAÇÕES - CURSO PSICOLOGIA ESTÁCIO-SC

Matrículas Veterano (via aluno on-line)
05/07/2009 - Vencimento da taxa de rematricula
10 à 17/07/09 - Matrícula via internet (aluno on-line)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Lacan cem anos depois

O psicanalista Jorge Forbes fala sobre a importância do psicanalista francês para o pensamento moderno e explica por que o brasileiro é um otimista

No último dia 13 de abril, foi comemorado o centenário de nascimento do psicanalista francês Jacques Lacan, o homem que, a partir de Freud, reinventou a psicanálise. Mas nem todos festejaram a data. Intempestivo, polêmico, hermético e genial, Lacan arrebatou admiradores e inimigos quase na mesma proporção. Parte do primeiro time, o psicanalista Jorge Forbes, 49 anos, de São Paulo, é um dos maiores especialistas em Lacan no País. Divide com alguns poucos o mérito de introduzir a obra lacaniana no Brasil. “Sem Lacan, a psicanálise não existiria”, provoca Forbes. Nesta entrevista, o ex-presidente da Escola Brasileira de Psicanálise fala sobre a importância de Lacan para o pensamento moderno e aborda também outros temas, como angústia, depressão e um certo caráter do povo brasileiro.

ISTOÉ – Qual é o legado deixado por Jacques Lacan?
Jorge Forbes – Jacques Lacan pode ser considerado o mais importante psicanalista depois de Sigmund Freud. Sem ele, hoje não existiria a psicanálise. Ele teve a condição de continuar o cerne da descoberta freudiana, que é o de permitir a cada pessoa saber qual é a sua forma particular de desejar, de amar, sem ser obrigado a entrar nessa plastificação do mundo atual.

ISTOÉ – Por que fazer uma análise lacaniana?
Forbes – Análise lacaniana é a mais compatível com o sujeito pós-moderno. Nós estamos vivendo uma época na qual existe uma horizontalidade maior entre as pessoas – diferente da era anterior, em que tínhamos modelos piramidais de organização. O sujeito pós-moderno tem uma forma de significação que ultrapassa a ordem paterna. E foi Lacan que propôs a condução de uma análise além do Édipo, além do modelo freudiano típico e, portanto, mais compatível com o sujeito pós-moderno.

ISTOÉ – O sr. conheceu Lacan. Que impressão teve dele?
Forbes – Conheci-o com 75 anos. Era impressionante o vigor e a vontade de ir além. Dava a impressão de que não perdia um momento na vida. Era uma pessoa muito receptiva, do jeito dele. Mesmo muito famoso, bastava telefonar e ele te recebia. Qualquer ambiente em que entrasse, se fazia imediatamente notar, mesmo que não abrisse a boca. Era um analista o tempo todo.

ISTOÉ – O tempo da sessão virou o grande cavalo de batalha da psicanálise lacaniana. Algumas dessas sessões, por sinal caríssimas, duravam segundos. O que é mito e o que é verdade?
Forbes – Ah, essa é uma crítica sempre repetida. Tem até uma historiadora conhecida que afirma em artigos que Lacan teria diminuído o tempo da sessão porque tinha muita gente na sala de espera. Vejo essas declarações com certo desalento. Não basta conhecer história. É preciso conhecer psicanálise para se falar dela. O tempo de uma sessão para Lacan é fundamental, faz parte da própria análise. As decisões que uma pessoa toma têm sempre o tempo como um dado do próprio problema. Portanto, mais ou menos tempo, muda o dado e assim muda a conclusão.

ISTOÉ – Por que a análise é cara?
Forbes – As pessoas acham caro porque elas estão acostumadas a pensar o uso do dinheiro na relação custo/benefício. E é muito difícil medir quanto você investe em uma análise tendo esse termômetro. Se você vai a um médico e tem um nariz feio e ele diz “você me paga R$ 1 mil e eu o transformo”, você tem uma relação clara de custo/benefício. Quando você vai para uma análise, o termômetro não é nem padronizado nem exterior. As pessoas se embaralham. E esse embaralhamento é utilizado na análise. Portanto, tal qual o tempo, o pagamento é um fator que o profissional utiliza como instrumento terapêutico. Um dos objetivos é que cada um ponha em questão seu referencial de valor. E o dinheiro é um dos parâmetros nos quais a questão do valor caminha.

ISTOÉ – O Brasil tem uma das melhores escolas de psicanálise do mundo. O brasileiro precisa de análise?
Forbes – O brasileiro ama o seu inconsciente. Isso explica por que o Brasil é um dos países no qual a psicanálise é mais desenvolvida. Uma das qualidades do povo brasileiro é de não se levar muito a sério. Ele tem sempre uma certa desconfiança, sadia e gaiata. Essa qualidade é que o faz sensível às formações do inconsciente. A psicanálise vai mal em países totalitários. Por isso, a Alemanha nazista a baniu. Menos seriamente, sociedade na qual todos gostam do mesmo queijo não é lugar para a psicanálise.

ISTOÉ – Essa desconfiança gaiata é que faz o brasileiro encarar com bom humor certas angústias que o afligem?
Forbes – Um ditado popular diz que o brasileiro não se preocupa muito com a sua história porque amanhã ela irá se transformar em enredo de escola de samba. A identidade do brasileiro está voltada para o futuro e não para o ontem. Ele acredita no futuro. Essa qualidade minora as dificuldades que enfrenta no dia-a-dia. Quando bem usado, é um de seus tesouros.

ISTOÉ – O sr. fez referência ao homem pós-moderno. Qual é a posição dele na nova organização social?
Forbes – A globalização está provocando mudanças em homens e mulheres. Antes, as pessoas buscavam pertencer a grandes corporações ou ter profissões reconhecidas como de “doutor”: médico, engenheiro ou advogado. Hoje, não é mais isso que se espera. Não é uma honra ficar no mesmo emprego e o leque profissional é muito mais amplo. A globalização pulverizou os ideais, exigindo a cada um se defrontar com a angústia da escolha: será que você quer realmente o que deseja?

ISTOÉ – Então a globalização pode ser benéfica ao indivíduo...
Forbes – Cada pessoa tem mais chance de provar a que veio. De inovar. Ao mesmo tempo sofre mais com isso. Não há mais um caminho definido. Isso está causando uma epidemia de depressão. O homem está desbussolado. O problema é saber o que ele realmente quer. Como Freud dizia, não existe uma organização social perfeita. Quando a sociedade muda, você tem novas soluções e novos problemas. Antigamente, o jovem dizia que não tinha liberdade de escolha. Hoje, ele tem essa liberdade e se sente perdido. Por não saber o que fazer, acha que tudo o que faz é pouco. E quando chega a essa conclusão, se deprime ou se droga. Mas é bom lembrar que os próprios jovens nos indicam soluções. A música eletrônica e os esportes radicais surgem como novas formas de lidar com o mundo moderno.
fonte:

quinta-feira, 21 de maio de 2009


18 de Maio de 2009

Pequenos Tiranos


Frequentemente, em meu consultório, recebo pais se queixando de seus filhos, relatando que estes estão sem limites, se tornaram crianças incontroláveis, mimadas e cheias de vontades.
Questionando sobre esse relacionamento, sobre a dinâmica estabelecida entre os pais e os pequenos mimados, percebi uma intensa permissibilidade por parte destes pais e uma grande dificuldade de dizer “não”, de impor limites a estas crianças. Pais que são sempre amigos, que sequer levantam a voz para seus filhos.
Porque está tão difícil para estes pais exercer sus função parental, impondo limites com firmeza e deixando claro quem está no controle?
Queremos que as crianças sejam ou pareçam sempre felizes e satisfeitas. Parece que o desejo de ser bons pais os impede de colocá-los no lugar daquele que interdita e que faz cumprir a lei. O medo de frustrar seus filhos faz esses pais realizarem todas as demandas dos pequenos que, quando não atendidos, se jogam no chão, chorando aos berros, criando um verdadeiro espetáculo que já vimos diversas vezes em supermercados, lojas, shoppings ou até mesmo no meio da rua. Os pais, nestes momentos, olham constrangidos para as pessoas que passam, sem saber como agir com o pequeno tirano se debatendo no chão. Nós que passamos e presenciamos esta cena pensamos: “Porque esses pais não fazem nada?” Na verdade acho que a pergunta adequada é “Porque esse pai fez tudo, exceto agir como pai?”.
Essas crianças que parecem mais ditadoras controlam, com gritos e cenas, o comportamento dos pais, que cedem cada vez mais às suas vontades, enquanto os filhos se tornam cada vez mais difíceis de se conviver.
A história de que criança precisa de limite é antiga, mas ainda é verdade. Porém impor estes limites não é tão fácil assim. Isso coloca em jogo a necessidade de amor dos pais, o receio em punir demais, e o desejo de serem os melhores pais do mundo. Punir significa suportar o ódio, mesmo que momentâneo, da criança. Impor limites constitui, à duras penas, saber lidar com o choro revoltado do filho, sabendo que este é o melhor caminho.
Assisti recentemente um trecho do programa Supernany, que passa no SBT e fiquei assustada com o comportamento de uma menina de 5 anos que em menos de 10 minutos deu dois tapas no rosto da sua mãe, que olhava para a câmera e dizia não saber o que fazer. Fiquei mais assustada ainda ao saber que mais de 30 mil famílias concorrem para ter a chance de um conselho da tal babá (ou a um espaço na tela?) porque não sabem mais o que fazer com seus rebentos agressivos e sem limites.
Vivemos numa sociedade permissiva e estes pais são reflexos desta. É difícil estabelecer limite, mas estas interdições e demarcações do que é permitido e o que não é, são essenciais para a formação e desenvolvimento das crianças.
Por mais doloroso que seja para um pai dizer “não!”, é a partir deste não, deste limite, que as crianças tem a possibilidade de se constituir e de desenvolver.
Com certeza não existe uma fórmula de como lidar com os filhos, isso é o resultado de um caminho sinuoso e singular que cada pai deve construir com seu filho.


Fernanda Pimentel
Artigo publicado no Jornal A Orla

Freud disse que a Psicanálise era uma peste?



Terça-feira, 29 Abril, 2008 ·

Reportagem de 07 de Fevereiro de 2008 do Semanário de Portugal a respeito da célebre frase de Freud: “eles não sabem que lhes estamos a trazer a peste?” (português de Portugal)


”Numa conferência nos EUA, em 1909, Freud terá comentado com Jung, a propósito da psicanálise, que “eles não sabem que lhes estamos a trazer a peste?” O SEMANÁRIO questionou vários psicanalistas sobre a veracidade destas palavras e o sentido que Freud lhe quis dar. Coimbra de Matos, Carlos Amaral Dias, Celeste Malpique, Eurico Figueiredo, Eduardo Sá, Jaime Milheiro, João Seabra Diniz e Rui Coelho deram as suas opiniões.
Coimbra de Matos: “As ideias de Freud abalariam o statu quo da moralidade sexual burguesa”“O termo ‘peste’ deve ser interpretado em sentido metafórico – as ideias de Freud eram, efectivamente, revolucionárias e abalariam o statu quo da moralidade sexual burguesa.”
Carlos Amaral Dias: “A ciência do inconsciente foi, sem dúvida, uma ‘peste’ que perplexizou as ciências médicas, sociais e humanas.”Tudo indica que Freud terá proferido o comentário em epígrafe ou pelo menos, algo muito semelhante.Considero particularmente feliz a metáfora, já que a ciência do inconsciente foi, sem dúvida, uma “peste” que perplexizou as ciências médicas, sociais e humanas.
Celeste Malpique: “Notando o pragmatismo e o puritanismo americano logo pressentiu que não se aperceberam de quanto a Psicanãlise era subversiva.”Freud fez realmente esse comentário quando em 1909 visitou os USA a convite de Stanley Hall,da Univ. de Clark em Worcester.Foi muito bem acolhido,fez conferências muito claras e interessantes e sentiu-se aceite ,o que não acontecia no meio científico europeu.Bom observador ,como era ,notando o pragmatismo e o puritanismo americano logo pressentiu que não se aperceberam de quanto a Psicanãlise era subversiva,e que também ali, surgiriam resistências.Como se veio a verificar na divulgação da Teoria e numa certa superficialidade e deturpação do método psicanalítico.
Eurico Figueiredo: “Não vejo que o aumento da nossa liberdade de nos utilizarmos e de interagir com os outros seja ‘peste’.”A pergunta, para evitar o problema da sua veracidade, poderá ser feita pelo Sr Director: “Trouxe a psicanálise a peste ao mundo?” A minha resposta é de modo nenhum: a Psicanálise é uma prática que aumenta a liberdade do analisando libertando-o de repetir comportamentos que resultaram de uma aprendizagem empobrecedora. Não vejo que o aumento da nossa liberdade de nos utilizarmos e de interagir com os outros seja “peste”.
Jaime Milheiro: “O puritanismo americano foi certamente um despertador para tal expressão.”Trata-se de uma excelente metáfora, perfeitamente compreensível na inteligência de Freud. O puritanismo americano, mais vincado na altura do que no momento presente, foi certamente um despertador para tal expressão em tal sítio, embora a sua “peste” tenha valor universal.
João Seabra Diniz: “Freud não se considerava um empestado, mas tinha boas razões para pensar que muitos poderiam imaginar que ele andava a espalhar a peste.”Admito que Freud pudesse ter feito este comentário. Estava, desde há anos, empenhado no estudo do funcionamento do psiquismo humano. A investigação dos processos psíquicos inconscientes, bem como a descoberta da sexualidade infantil representavam elementos de grande novidade que tinham mesmo provocado escândalo. As suas concepções vinham obrigar a uma profunda revisão da imagem tradicional do homem como ser pensante, determinado por motivos racionais, e da ideia idílica que se fazia da infância e da inocência que lhe era atribuída. A grande obra que é a ‘Interpretação dos Sonhos’ é de 1900. Os ‘Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade’ são de 1905. Quando em 1909 teria proferido esta frase, tinha já ampla e dura experiência de que as suas ideias, por inovadoras e brilhantes que fossem, não só não despertavam entusiasmo mas provocavam em muitos rejeição indignada. Freud não se considerava um empestado, mas tinha boas razões para pensar que muitos poderiam imaginar que ele andava a espalhar a peste. Se de facto proferiu esta frase, a ironia que ela contem parece-me traduzir este sentimento.”
Rui Coelho: “O papel da sexualidade na estruturação identitária do indivíduo era claramente revolucionária para a época.”Penso que o termo “peste” foi empregue em sentido metafórico; isto é, o pensamento de Freud, em 1909, era praticamente desconhecido nos EUA e as cinco palestras proferidas em alemão, então, a convite do reitor da Clark University, Stanley Hall, foram posteriormente traduzidas por H. W. Chase como “The Origin and Development of Psychoanalysis” e publicadas no American Journal of Psychology, XXI: 2, 3 (1910). Assim, toda a valorização já então referida pela investigação psicanalítica acerca das relações precoces (mãe/pai/bebé) e do papel da sexualidade na estruturação identitária do indivíduo era claramente revolucionária para a época.
Eduardo Sá: “Num mundo de pessoas normalizadas chamarmos a atenção para o que temos cá dentro, seria uma janela de compreensão que, depois de aberta, não voltaria, de novo, a ser fechada”Terá proferido. Mas devemos contextualizá-lo. Freud estaria a falar de um modo metafórico. Isto quer dizer que, num mundo onde a intimidade e a subjectividade humanas pareciam ser descartáveis, chamar a atenção para os componentes animais de algumas das nossas reacções ou para a nossa competência para pensarmos, muito para além da nossa intenção para o fazermos, era – naquela altura como hoje – uma espécie de peste. Responsabilizava-nos mais como pessoas, mobilizava-nos para a autenticidade e alertava-nos para a prevalência das nossas relações significativas (quer no sentido da saúde como no do adoecer psíquicos).Num mundo de pessoas normalizadas chamarmos a atenção para o que temos cá dentro, seria uma janela de compreensão que, depois de aberta, não voltaria, de novo, a ser fechada.”


postado por Flávia Albuquerque – Psicanalista – (21) 9792-8326 / flavia@pontolacaniano.com.br ou fmaa@uol.com.br


terça-feira, 5 de maio de 2009

SENTAR-SE À JANELA

SENTAR-SE À JANELA
Alexandre Garcia

Era criança quando, pela primeira vez, entrei em um avião.
A ansiedade de voar era enorme.
Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem.
Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens, chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.
Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o início, voar era uma necessidade constante.
As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a estar em dois lugares num mesmo dia.
No início pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal.
O tempo foi passando, a correria aumentando, e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse.
Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar rápido e sair rápido.
As poltronas do corredor agora eram exigência . Mais fáceis para sair sem ter que esperar ninguém, sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.
Por um desses maravilhosos 'acasos' do destino, estava eu louco para voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba o mais rápido possível.
O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela, na última poltrona. Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque.
Embarquei no avião, me acomodei na poltrona indicada: a janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar.
E, num rompante, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara. Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu.
Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer.
Naquele instante, em que voltei a ser criança, percebi que estavadeixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista.
Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, do meu trabalho e convívio pessoal?
Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida.
A vida também é uma viagem e se não nos sentarmos à janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens, que são nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos.
Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar, sabe-se lá aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a viagem nos oferece.
Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do corredor, para embarcar e desembarcar rápido e 'ganhar tempo', pare um pouco e reflita sobre aonde você quer chegar.
A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem não é anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum detalhe.

Afinal, a vida, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos.