sábado, 19 de março de 2011
TESE DE MESTRADO NA USP POR UM PSICÓLOGO
segunda-feira, 7 de março de 2011
O DURO EXERCÍCIO DO ADEUS...
Thaís Oyama
Ter fé também ajuda a mitigar a dor: quem crê padece menos, avaliou o estudo. A crença em algum tipo de sobrevivência espiritual dispara entre os moribundos. Pesquisa feita nos anos 70 na Inglaterra com doentes terminais mostrava que 84% admitiam a possibilidade de vida depois da morte, contra apenas 33% entre pessoas que não estavam para morrer. "A maior parte das crenças dá à morte um caráter de libertação, de evolução", resume o psicanalista Renato Mezan. A certeza de que a efemeridade da vida carrega um sentido divino contribui para abrandar o que, segundo o psicanalista, é um dos piores sentimentos que a idéia da morte pode trazer: a sensação de aniquilamento, a perplexidade diante da constatação de que o cessar da própria vida não modifica em nada os rumos do mundo.
A promessa de que existe alguma coisa além da vida está na base das religiões. Do mártir cristão que se deixava supliciar por centuriões romanos ao jovem terrorista muçulmano que hoje morre sorrindo com uma carga de explosivos amarrada no corpo, nada se compara ao poder da fé para amenizar o horror existencial provocado pela morte. No mundo espiritualizado da Idade Média, a Igreja estimulava os fiéis a alegrar-se com a chegada do fim – porta para a vida eterna. A morte devia ser encarada com naturalidade e resignação. Lutar contra ela era motivo de vergonha. Desenvolveram-se assim na cultura ocidental os ritos que permaneceram mais ou menos os mesmos até o século passado. A morte ideal era a previsível, provocada por doença suficientemente prenunciada de forma a permitir o cerimonial. Em seu leito, cercado pela família e por agregados, o moribundo recebia visitas, manifestava os últimos desejos. Depois, era entregar a alma a Deus, receber os sacramentos das mãos do padre e partir. Seguiam-se os ritos fúnebres: a procissão do Santíssimo, as velas acesas, o dobrar dos sinos, o cortejo até o cemitério.
"A morte de um homem alterava solenemente o espaço e o tempo do grupo social ou da comunidade inteira", escreveu o historiador francês Philippe Ariès, um dos maiores estudiosos do comportamento humano diante da morte. A mudança que tirou a morte do espaço público, transformando-a num exercício de silêncio, começou a acontecer no século XIX. Esconder a notícia da doença funesta, fingir que nada está acontecendo, ocultar o medo são comportamentos que coincidem com mudanças sociais e avanços da medicina. Enquanto a expectativa de vida aumenta, a composição familiar encolhe e se desenvolve uma sensibilidade voltada para poupar o doente do sofrimento de saber o destino que o aguarda, cada vez mais se dissimula o inevitável. O espetáculo da morte, com seus odores, seus gemidos, suas excreções, vai se tornando insuportável. "Avanços em matéria de conforto, privacidade e higiene pessoal tornaram as pessoas mais sensíveis. Nossos sentidos não toleram mais as visões e os cheiros que até o século XIX eram parte do cotidiano, juntamente com o sofrimento e a doença", enumera o historiador. No decorrer do século XX, a morte silencia. Abreviam-se os ritos: vão-se as carpideiras, as vestes negras das viúvas e as portas cerradas em sinal de luto. Nos países anglo-saxões, até expressões de dor em público são tacitamente proscritas, como coisa de mau gosto, quando não de histeria. As lágrimas secam. Na década de 50, a morte passa para os domínios das UTIs, torna-se asséptica e invisível. É como se abandonasse a vida pública para confinar-se à solidão de um leito de hospital.
Fonte: http://veja.abril.com.br/061099/p_078.html
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Olhar psicológico sobre o brilhante filme: CISNE NEGRO
Bom, voltando ao filme como eu falei acima, de cara percebe-se a relação mãe-filha que é o pilar para a estrutura do sujeito, sendo que toda mãe, é o nosso primeiro objeto de amor e com uma filha, isso é mais delicado se não há um terceiro para quebrar essa relação. No filme basicamente mostra o desejo de realização + frustração, posse, castração e obsessão da mãe para com a filha e da filha cujo se realizava em aceitar os caprichos de sua mãe, não tinha autonomia, vida própria, reprimindo seus desejos, sejam eles sexuais, psicossociais --- uma aparente normalidade no período anterior ao surto — a personalidade "como se" fachada obsessivo-compulsiva.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Abaixo o bullying homofóbico
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
ESTAMIRA: MISSÃO CUMPRIDA
O filme Estamira revela antes de mais nada o respeito à escuta do outro, do diferente, do estranho. Estranho que, entretanto, nos é familiar de alguma forma. Como não admirar - e concordar - com a frase dita por uma doente mental crônica segundo a qual "não existem mais ´inocentes´, mas sim ´espertos ao contrário´ " ?
Em uma cidade, um estado e um país mergulhados num sufocante lixo ético, o "lixão" de Gramacho, nem tão longe da decantada "Cidade Maravilhosa", se transforma numa metáfora deprimente do estado a que chegamos. Com humor que nos atenua as dores intoleráveis, o "Barão de Itararé" assim chamava o "Estado Novo" getulista: o estado a que chegamos. Como chamar o atual estado de coisas a que chegamos?
Não nos iludimos achando que os inúmeros traumas e vicissitudes pelas quais passou a personagem real que dá título ao documentário de Marcos Prado teriam sido "a causa" de sua doença mental. Sua mãe também necessitou de tratamentos psiquiátricos. Uma tendência desfavorável já a acompanhava geneticamente. Mas sua história de vida (que o filme vai desvendando aos poucos), sua especificidade e sua subjetividade - única e irreproduzível - estão inscritas em seus delírios, alucinações e modo de estar no mundo. Nada é gratuito, tudo é revelado, desvelado ou re-escrito na forma de Dona Estamira se apresentar. Seu discurso pode chegar a formular lições de sabedoria, mas, antes de tudo, expõe sua percepção peculiar de si mesma e do mundo em que nos encontramos: delirante e sábia, confusa e cristalina, atordoante e provocadora de reflexão.
Quando o fotógrafo Marcos Prado, ainda no ano 2.000, encontrou Dona Estamira no Lixão que ele fotografava, ela lhe teria dito que tinha uma missão: revelar "a verdade". Perguntou-lhe se sabia qual era a missão dele. Como ele não respondesse logo, ela anunciou: "Sua missão é revelar a minha missão".
Sem se furtar à profecia oracular, Marcos Prado aceitou o papel que a louca do "lixão" lhe apontou. Durante anos seguidos visitou repetidamente Estamira e seus filhos em casa assim como não deixou de ir filmar Estamira e seus companheiros, catadores como ela, no enorme e insalubre depósito de todo o lixo da cidade do Rio de Janeiro. Registrou cenas a cores com a iluminação natural; outras em preto-e-branco granulado quase chegando à desintegração da imagem; outras ainda em exemplar trabalho do fotógrafo que sempre foi. O pathos atingido pela apresentação áudio-visual é impactante, não podendo deixar de ser mencionada a presença apoiadora da exemplar trilha musical de Décio Rocha.
Incrível, no entanto, é constatar que esta é uma primeira obra para cinema. Em seu ritmo envolvente, seu diálogo com a entrevistada e a aproximação que vai fazendo gradualmente com a platéia, o filme é surpreendente em sua sintaxe, elegante em sua gramática, contundente na emoção evidente com a qual foi feito e que transmite em cada passagem.
Não cai na armadilha da idealização ingênua (nem há mais ingênuos, já anunciou o filme logo no início): Estamira pode se mostrar arrogante, verbalmente agressiva, até mesmo desagradável. Mas Marcos permite que ela se faça ouvir. E ao registrá-la faz com que escutemos sua revolta contra um "Deus estuprador" e contra médicos "copiadores" de receitas. Origens e meios são contestados e questionados. Anos depois do próprio cinema, hoje clássico, de Ingmar Bergman questionar o "silêncio de Deus" - e ainda antes do atual Papa tentar deslocar a responsabilidade dos homens para a ausência de Deus durante os horrores do Holocausto - Estamira, o filme e a personagem, denunciam o desamparo humano, não só filogenético ou ontogenético, mas também social, econômico e político. Assim como são questionadas as condições dos hospitais psiquiátricos, dos ambulatórios, dos tratamentos reduzidos à prescrição (ainda que adequada) de medicações potentes que podem até mesmo minimizar os abismos das psicoses, mas onde se corre o risco de deixar de lado a escuta do Outro, da alteridade - tudo isso e muito mais são expostos como um nervo vivo.
E o cineasta, sem proselitismo nem vassalagem, através de uma linguagem cinematográfica grave e comunicativa nos faz refletir muito mais ainda sobre uma realidade que nos parece insuportável de ser vivida, mas aonde a vida surpreendentemente se preserva da única forma que parece possível: louca. Como nos parece ensandecida uma das imagens finais do filme onde, ao longe, se vê o perfil deslumbrante dos morros do Rio de Janeiro, mas em primeiro plano nada mais do que o lixo. Muito lixo.
LUIZ FERNANDO GALLEGO é psicanalista e cinéfilo, curador da mostra 2008 sobre Cinema e Ética no setor Cultural da Escola de Magistratura do Fórum do Rio de Janeiro.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Ultrapasse a simples geração de idéias
Do livro: Além do Bem e do Mal, de Nietzsche.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Múltipla escolha
Lya Luft
Outrem e liberdade
É no esforço que faz a existência para atingir a certeza de ser ela mesma que se introduz mais insidiosamente a possibilidade do desespero. Querer ser livre para si só é cair numa das duas formas de desespero analisadas por Kierkegaard: querer desesperadamente ser si-mesmo, ou querer desesperadamente não ser si-mesmo. Na ideia do combate como situação-limite, como Agon espiritual (p.446), aparece também o combate sem violência, "o combate pela existência do amor" (p.453), que é questionamento de si e do outro sobre o fundamento de uma solidariedade invisível sem a qual não há existência virtual alguma. Só a liberdade, fonte de todo esclarecimento da existência, engajada nesse combate que só se sustenta por ele mesmo, e que, sem fundamento nem justificação conceitual, ajuda a "superar o desespero das situações-limite"(p.480), a não se obstinar no fechamento e na angústia.
Do livro: EXISTENCIALISMO, de Jacques Colette
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
UMA PEQUENA E ENTUSIASMADA REFLEXÃO PRIVATIVA
Se as pessoas, quando ouvissem algo de alguém ou vissem, estivessem com os olhos realmente abertos, e silenciasse um pouco o seu discurso interno e os ouvidos atentos poderiam ver e ouvir o outro lado, o que está além ou o que por algum motivo não é comunicado na linguagem que entendemos, com certeza estaríamos muito mais perto de um mundo melhor.
Nós futuros psicólogos já começamos a fazer isso?
Já conseguimos ter este ouvido, ter este olhar, calar?
E acima de tudo teremos?
É uma pergunta que devemos nos fazer e ir na direção dela, acredito eu.
Não acharmos que sempre o que ouvimos são fatos, podem não ser, podem ser simples interpretações de comunicações entendidas de uma forma, podem ser interpretações através de um aprendizado, esquecendo que ainda não aprendemos tudo.
Mas se a
Com amor certamente entenderei melhor, abrirei os meus sentidos e estarei de
De todas as minhas experiências cliente da exclusão, desde a fome e o frio até o deslum
Sartre diz – O inferno são os outros. Mas o que fazemos com o outro para ele ser o inferno?
Penso que cada sessão de um terapeuta é única e de um cliente também, porque a cada sessão que passa nem terapeuta e nem cliente são mais os mesmos.
Valdete Coelho Sant´ana
Breve percurso pelo pensamento freudiano acerca do tratamento psicanalítico das psicoses

Que acontece na psicanálise para que, a partir dos anos quarenta, comecem a surgir trabalhos como os de Federn (1991), que propõem não só a existência da transferência nas psicoses mas as modificações que necessariamente devem se realzar no dispositivo analítico para que tenha lugar uma cura?
A convicção anterior responde ao efeito imaginário de uma doutrina e ao desconhecimento do acontecido na psicanálise durante os anos quarenta e cinquenta, ou existem razões teóricas que a sustentam?
Caso se deva à segunda alternativa proposta, essas razões teóricas são as mesmas?
Fonte:http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?pid=MSC0000000032001000300026&script=sci_arttext

