sábado, 27 de agosto de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
Transtorno de deficit de atenção tem ligação com outros males
| Estudos sobre TDAH |
| Escrito por Assis |
| Sex, 12 de Agosto de 2011 11:51 |
Transtorno de deficit de atenção tem ligação com outros males Carolina Vicentin (Correioweb) Publicação: 12/08/2011 Um dos distúrbios mais estudados dos últimos tempos, o transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ocorre devido a variações genéticas que também podem provocar o autismo. Em um artigo publicado ontem na revista Science Translational Medicine, pesquisadores comprovaram, pela primeira vez, algo que os médicos já percebiam nos consultórios: a ligação entre o TDAH e patologias psíquicas mais graves, entre elas, as do espectro autista. A equipe de cientistas canadenses encontrou exatamente a mesma alteração em pedaços do DNA de nove pacientes autistas e de cinco com o problema da falta de concentração. Embora a amostra ainda seja pequena, ela representa o primeiro passo para entender com mais clareza a incidência de doenças mentais e neurológicas. O TDAH atinge de 3% a 5% das crianças, com maior prevalência entre os meninos. “São pequenos muito inquietos, agitados, que não conseguem se concentrar e, consequentemente, têm dificuldades para aprender”, explica a psiquiatra Ana Hounie, pesquisadora da Universidade de São Paulo. A doença tem alta taxa de comorbidades, ou seja, frequentemente, vem associada a outros males, como a ansiedade, os transtornos de comportamento e, até mesmo, a dependência química. O autismo é outra dessas patologias. Seus sintomas incluem a fixação por determinado assunto e a resistência a se envolver com novas atividades. Essas doenças são provocadas por fatores genéticos, associados a causas ambientais. “O pai ou mãe de uma criança com deficit de atenção, provavelmente, tiveram o mesmo problema na infância, assim como gêmeos idênticos têm mais probabilidade de desenvolver o TDAH que os não idênticos”, detalha Russell Schachar, do Hospital para Crianças Doentes de Toronto, no Canadá, um dos autores do estudo divulgado ontem. Mesmo com essas pistas, contudo, a ciência ainda não conhece todos os genes responsáveis pelos distúrbios. O pesquisador e outros colegas canadenses partiram, então, para uma busca mais detalhada das partes do código genético que causam a falta de concentração. Para isso, eles adotaram técnicas sofisticadas de mapeamento do genoma, com máquinas capazes de oferecer uma resolução melhor de pedaços menores das amostras. “Nós estávamos interessados em encontrar cópias raras de genes que nunca foram vistas na população em geral e que existem apenas no DNA das pessoas com deficit de atenção”, explicou Schachar ao Correio. Das 248 amostras, 89% delas tinham variações nos seguintes genes: ASTN2, ASTN2-introni, TRIM32, CHCHD3 e MACROD2, além da região 16p11.2 da cadeia. “Em quase 90% dos genomas estudados, havia essa variação de número de cópias raras e poucas apresentavam mutações propriamente ditas, que são comuns em outras desordens”, comenta o especialista. A alteração do número de cópias, contudo, existe em doenças psíquicas complexas, como a esquizofrenia e o transtorno bipolar — fato que intrigou a equipe canadense. Para tirar a prova dos nove, os pesquisadores coletaram amostras de genoma de 348 pessoas com autismo e realizaram a mesma análise minuciosa do material. Surpreendentemente, o código genético de nove dos participantes tinha exatamente a mesma característica que o coletado em cinco voluntários com o transtorno de deficit de atenção. Segundo os especialistas, o material identificado no grupo com TDAH aumenta o risco de incidência de doenças psiquiátricas do mesmo porte do autismo. Isso ajudaria a explicar por que é comum ver uma criança com autismo e TDAH ao mesmo tempo e, não raro, um menino ou menina com deficit de atenção associado a outros sintomas do espectro autista. “Nós encontramos um marcador genético das duas doenças, mas não para a vasta maioria dos pacientes. Agora, precisamos olhar mais profundamente para novas amostras e procurar esse sinal em níveis ainda mais profundos do genoma”, afirma o pesquisador. Aplicações A descoberta canadense ainda não tem grandes implicações clínicas. Embora a análise do DNA possa determinar o diagnóstico do deficit de atenção, por exemplo, lançar mão desse recurso seria desnecessário. “Há uma série de testes psíquicos e psicológicos que definem o TDAH e esse sistema funciona bem”, esclarece Russell Schachar. O especialista acredita, entretanto, que as revelações do estudo podem contribuir para o tratamento do distúrbio já em curto prazo. “Se você confirmar que o paciente tem sinais genéticos comuns ao TDAH e ao autismo, é possível receitar um medicamento mais eficiente”, sugere. César Moraes, coordenador do Departamento de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), acredita que a pesquisa publicada ontem dá um passo fundamental na busca por marcadores genéticos que caracterizem definitivamente as duas doenças. “Esse artigo é muito importante, pois consegue demonstrar que há fatores genéticos comuns ao diagnóstico de TDAH e aos transtornos do espectro autista”, comenta. Schachar vai ainda mais longe: com esse achado, aumentaram os desafios para a medicina, que agora precisa encontrar fatores de risco presentes em mais de uma doença psíquica. E os trabalhos já começaram. O especialista canadense e seus colegas estão coletando amostras do genoma de 5 mil pessoas com qualquer indício de desordem mental. A ideia é avaliar o material com grande acuidade para identificar qualquer traço compartilhado entre as patologias. Segundo Schachar, esse levantamento muda, inclusive, a forma de se fazer ciência. “No passado, as pessoas excluíam amostras de pacientes que tinham sintomas tímidos das doenças, mas nós vamos recrutar casos com qualquer sinal de problemas neuropsiquiátricos e procurar por suas variações de cópias raras. Se acharmos, vamos investigar isso em suas famílias também”, adianta. Responsabilidade compartilhada A pesquisa conduzida no Hospital da Criança Doente de Toronto, em parceira com universidades do Canadá, se baseia no conceito de pleiotropismo. Isso acontece quando uma parte específica de um gene pode estar associada tanto à presença de sintomas de uma doença quanto à de outra patologia. No caso desse estudo, os genes compartilham a “responsabilidade” pelo TDAH e pelo autismo. |
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
SÍNDROME DO “MOZINHO”
Revirando meus arquivos achei um artigo que comecei a algum tempo atrás e que deixei de lado por causa da correria e falta de tempo. Li de novo e teria que arrumar muita coisa ainda, mas vale compartilhar. Tem uma certa dose de "humorzinho"...
SÍNDROME DO “MOZINHO”
“O tema é um ponto de partida para um poema e não um ponto de chegada, da mesma forma que a bem-amada é um pretexto para o amor”. Mário Quintana
Diante de fatos que me aparentaram ser tão expressivos, me vi intrigada com o comportamento dos seres humanos em relação ao que se diz respeito ao amor. Tão comum ou presente em nossas vidas o amor surge e se instala no individuo. Quando expressado reflete um tipo de comportamento no mínimo esquisito/curioso (sem deixar de ser singular), ou qualquer outra definição que ainda não tenho a capacidade de transformar em palavras, permanece para mim, ainda, muito enigmático. Este comportamento refletido é expresso de diferentes maneiras, com expressões tão diversas quanto os mistérios que existem entre o céu e a terra. Exagero? Você já reparou? Já parou para observar tal tipo de comportamento? Pois é... para mim é evidente o transparecer de um certo “sei lá o que” um tanto incompreensível. É claro que ainda é muito cedo para poder afirmar qualquer tipo de coisa a respeito da síndrome do “mozinho” (nome ainda em construção), mas é de grande atração as primeiras constatações observáveis que podem ser feitas sem maiores esforços.
Tudo parece iniciar-se aparentemente normal/de forma natural. O casal se conhece e se trata pelo nome, o tempo vai passando, a intimidade vai se construindo e ficando cada vez maior. Os apelidos vão começando a surgir, até ai tudo bem. Depois de certo tempo os apelidos vão se transformado em “apelidinhos”... O comportamento vai se mostrando cada vez mais intrigante. Primeiramente os apelidos se voltam para os diminutivos, mas não contentes com os inhos e inhas o casal começa a generalizar e a usar derivativos, sinônimos, adjetivos, animais e o que mais a criatividade deles puderem lhes proporcionar e forem capazes de inventar. Conforme a história de cada um vai acontecendo, todas as suas vivências e besteiras cotidianas vão tornando a coisa cada vez mais preocupante. Digo preocupante, pois enxergamos neste momento o nível de intimidade de um casal quando o “apelidinho” pelo qual eles se chamam começa a ficar indecifrável. Geralmente são “apelidinhos” que não fazem alusão a coisa nenhuma (e nós nunca saberemos de onde estes tão criativos apelidos surgiram).
O tempo continua a passar e os tais “apelidinhos” vão se tornando o menor dos problemas. Somados aos tão carinhosos “apelidinhos” estão os comportamentos, a linguagem usada, os cuidados exagerados, as diferentes maneiras de tratamento e expressão de sentimentos, que chegam a ser sufocantes... é uma emoção de ampliação quase patológica. Os acometidos por este sentimento parecem perder a sua individualidade, a sua identidade e poder de raciocínio. Sentem-se, agora, resgatando a sua identidade apenas quando na presença desse outro (permanecem sob seu poder). Mas é claro que não podemos generalizar, ou falar que isso seja ruim. O que quero refletir aqui é a mudança que acontece no comportamento de cada pessoa quando esta está apaixonada. Dentro desta linha de raciocínio o amor pode ser compreendido como um “vício”, uma espécie de droga que debilita a mente do individuo e o faz entrar num processo de intensa regressão...
SÍNDROME DO “MOZINHO”
“O tema é um ponto de partida para um poema e não um ponto de chegada, da mesma forma que a bem-amada é um pretexto para o amor”. Mário Quintana
Diante de fatos que me aparentaram ser tão expressivos, me vi intrigada com o comportamento dos seres humanos em relação ao que se diz respeito ao amor. Tão comum ou presente em nossas vidas o amor surge e se instala no individuo. Quando expressado reflete um tipo de comportamento no mínimo esquisito/curioso (sem deixar de ser singular), ou qualquer outra definição que ainda não tenho a capacidade de transformar em palavras, permanece para mim, ainda, muito enigmático. Este comportamento refletido é expresso de diferentes maneiras, com expressões tão diversas quanto os mistérios que existem entre o céu e a terra. Exagero? Você já reparou? Já parou para observar tal tipo de comportamento? Pois é... para mim é evidente o transparecer de um certo “sei lá o que” um tanto incompreensível. É claro que ainda é muito cedo para poder afirmar qualquer tipo de coisa a respeito da síndrome do “mozinho” (nome ainda em construção), mas é de grande atração as primeiras constatações observáveis que podem ser feitas sem maiores esforços.
Tudo parece iniciar-se aparentemente normal/de forma natural. O casal se conhece e se trata pelo nome, o tempo vai passando, a intimidade vai se construindo e ficando cada vez maior. Os apelidos vão começando a surgir, até ai tudo bem. Depois de certo tempo os apelidos vão se transformado em “apelidinhos”... O comportamento vai se mostrando cada vez mais intrigante. Primeiramente os apelidos se voltam para os diminutivos, mas não contentes com os inhos e inhas o casal começa a generalizar e a usar derivativos, sinônimos, adjetivos, animais e o que mais a criatividade deles puderem lhes proporcionar e forem capazes de inventar. Conforme a história de cada um vai acontecendo, todas as suas vivências e besteiras cotidianas vão tornando a coisa cada vez mais preocupante. Digo preocupante, pois enxergamos neste momento o nível de intimidade de um casal quando o “apelidinho” pelo qual eles se chamam começa a ficar indecifrável. Geralmente são “apelidinhos” que não fazem alusão a coisa nenhuma (e nós nunca saberemos de onde estes tão criativos apelidos surgiram).
O tempo continua a passar e os tais “apelidinhos” vão se tornando o menor dos problemas. Somados aos tão carinhosos “apelidinhos” estão os comportamentos, a linguagem usada, os cuidados exagerados, as diferentes maneiras de tratamento e expressão de sentimentos, que chegam a ser sufocantes... é uma emoção de ampliação quase patológica. Os acometidos por este sentimento parecem perder a sua individualidade, a sua identidade e poder de raciocínio. Sentem-se, agora, resgatando a sua identidade apenas quando na presença desse outro (permanecem sob seu poder). Mas é claro que não podemos generalizar, ou falar que isso seja ruim. O que quero refletir aqui é a mudança que acontece no comportamento de cada pessoa quando esta está apaixonada. Dentro desta linha de raciocínio o amor pode ser compreendido como um “vício”, uma espécie de droga que debilita a mente do individuo e o faz entrar num processo de intensa regressão...
Ana Carolina dos Santos Rateke
Email: carolinarateke@hotmail.com
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Medicina reconhece obsessão espiritual
sábado, 25 de junho de 2011
quinta-feira, 23 de junho de 2011
III Jornada de Psicologia do Hospital Universitario /UFSC
Intervenção psicológica no contexto da urgência, alta complexidade e morte no hospital
15 e 16/09/2011
Auditório do Hospital Universitário
Normas para inscrição dos trabalhos
1. Serão aceitos trabalhos originais (não publicados), que
tratem de qualquer aspecto da psicologia hospitalar.
2. Somente serão aceitos trabalhos na forma de Pôster.
3. Os trabalhos deverão ser encaminhados na forma de
resumo simples, devendo observar as seguintes
especificações: formato Word superior, fonte Times New
Roman, tamanho 12, alinhamento justificado e espaço
simples e margens com 3 cm.
No 1° parágrafo deverá constar o título do trabalho em
letras maiúsculas; no 2° parágrafo o(s), nome(s) do(s)
autor(es) e no 3° parágrafo, a instituição onde o trabalho foi
desenvolvido.
Os resumos deverão conter justificativa, objetivos,
métodos, resultados e conclusões, em parágrafo único, com
no máximo 300 palavras. No rodapé, acrescentar endereço
completo e eletrônico do autor principal.
4. Os trabalhos devem ser enviados sob a forma de resumo
para: jornadapsico@hu.ufsc.br
5. Data limite para envio dos trabalhos dia 05/08/2011
Resposta quanto à aceitação dos trabalhos até 31/08/2011.
6.... A inscrição do trabalho se concretiza com e-mail de
aceite da Comissão Científica.
7. Os pôsteres, com dimensões de 90 cm de largura por 110
cm de altura, deverão ser fixados no hall do Auditório do
HU, das 13 às 17 horas do dia 15/09/2011, ficando expostos
até o final do evento. Cada inscrito poderá apresentar até 2
trabalhos.
8. O autor principal deverá estar inscrito no evento e será
fornecido apenas um certificado, constando os nomes do
autor principal e co-autores.
9. Havendo aceite, os trabalhos ficarão exposto durante o
evento, com disponibilidade do autor principal para
interlocução durante horário destinado a esse fim.
Inscrições
Faça o download da ficha de inscrição em
http://www.hu.ufsc.br Preencha e envie a mesma para o
email jornadapsico@hu.ufsc.br, juntamente com o
comprovante de deposito efetuado na conta abaixo citada.
*A inscrição somente se efetiva após recebimento da ficha
de inscrição e comprovante de depósito, através de e-mail
da Comissão Organizadora.
Ressaltamos que em caso de desistência não será realizado
o ressarcimento do valor da inscrição.
Valores:
Minicursos Jornada
Estudantes R$ 15,00 R$ 25,00
Profissionais R$ 30,00 R$ 50,00
Dados Bancários para Depósito:
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1453-2
Conta Corrente: 42750-0
AAHU - Associação Amigos do HU
Maiores Informações:
jornadapsico@hu.ufsc.br
VAGAS LIMITADAS
Realização:
SERVIÇO DE PSICOLOGIA DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO/UFSC
quarta-feira, 22 de junho de 2011
“O Discurso do Rei” e a situação analítica
Por André Toso
O filme “O Discurso do Rei” é uma verdadeira aula sobre a relação entre terapeuta e paciente na clínica psicanalítica. No roteiro, a história do Rei George VI, que, por conta de problemas de gagueira, não consegue discursar em público. O personagem, brilhantemente vivido pelo ator Colin Firth, sai em busca de uma solução até encontrar o terapeuta da fala Lionel Lougue (vivido pelo ator Geoffrey Rush).
Lougue, ator frustrado e adorador de Shakespeare, parece conhecer a fundo a teoria psicanalítica e a aplica de forma pouco ortodoxa para curar problemas de voz em seus pacientes. Apesar dos exercícios típicos da fonoaudiologia, o terapeuta sabe que as razões principais para a gagueira do rei moram muito mais nos calabouços emocionais do que nos problema físicos.
O primeiro aspecto que pode ser discutido é o fato de o terapeuta não possuir nenhum tipo de credencial para sua atividade. Em 1926, no livro “A Questão da Análise Leiga”, Freud defende com veemência que a atividade psicanalítica deve ser independente da medicina ou de qualquer outra formação acadêmica. De certa forma, é isso que ocorre nos dias de hoje, com a disseminação das sociedades livres de psicanálise pelo País e pelo fato dos cursos de psicologia serem incapazes de munir seus alunos para a complexidade da teoria do inconsciente. Freud também salientava a importância da análise pessoal do futuro psicanalista, única forma de ele estar preparado para enfrentar as transferências de uma análise.
No filme, Lougue, apesar de não seguir nenhum tipo de escola terapêutica, bebe de todas elas e mostra boa capacidade e sensibilidade no trato com o paciente. A sinceridade com que exerce seu ofício e o comprometimento e o desejo com a melhora do paciente já parecem lhe atribuir condições de realizar o atendimento. É neste momento que o terapeuta cria um vínculo perfeito com seu paciente, o auxiliando da forma mais honesta e, por que não, profissional possível.
O psicanalista Wilfred Ruprecht Bion (1897 -1979) consolidou o termo vínculo na clínica. Com seu conceito de continente/conteúdo, teoriza que o analista precisa criar uma ligação de confiança com o seu paciente e oferecer a ele uma recepção para sua dor (ele chamou isso de reverie). A falha ocorrida na formação emocional do paciente deve ser recebida pelo terapeuta, que deve contê-la, elaborá-la e devolvê-la ao paciente “desintoxicada”.
Winnicott (1896-1971), por sua vez, utiliza a expressão holding para falar sobre a relação entre paciente e terapeuta. O pediatra e psicanalista acredita que o sujeito só pode vir a ser com o apoio de uma mãe suficientemente boa em sua formação emocional. O papel do psicanalista, portanto, é auxiliar o paciente a encontrar a confiança egóica para criar as condições para ele vir a ser. No filme, a voz de George VI se torna mais firme conforme sua confiança em relação ao terapeuta aumenta. No momento que o rei faz a transferência e acredita no papel de seu analista, ganha confiança e se sente abraçado. A presença do outro, que passa a conhecer sua história e lhe compreender, neste ponto, lhe dá a segurança para vir a ser, para se expressar sem sobressaltos e inseguranças. É neste momento que a análise funciona e que, como diria Winnicott, ocorre um momento sagrado entre terapeuta e analista.
Muitos outros detalhes são interessantes em “O Discurso do Rei”. São claros os momentos de transferência, resistência, contratransferência e a necessidade de o analista em tratar o paciente como igual. Apesar de rei, quem dava as cartas no consultório era o terapeuta, que se manteve firme ao olhar seu paciente como um ser humano como outro qualquer, sem coroas ou tronos a interferirem em seu trabalho (fator fundamental para a psicanálise). No final, o laço terapêutico se fecha com a confiança do paciente em seu analista e um nascimento de seu desejo – real e espontâneo – de vir a ser. Se o discurso do rei é a voz de um povo, o discurso do terapeuta tem o papel de ser uma voz que desperta o analisando para o mundo dos seus próprios desejos. Em “O Discurso do Rei”, George VI precisa apenas do apoio de um homem que lhe enxergue de verdade, sem as fantasias de um rei.
Fonte:sppsic.wordpress.com/2011/02/21/o-discurso-do-rei-e-a-situacao-analitica/
Portal de busca de artigos de psicologia online em espanhol e português - 60 revistas, mais de 13.000 artigos
Psicoredalyc
Site: http://redalyc.uaemex.mx/portales/areas/indices/psicologia/IndexPsicologia.jsp
Psicoredalyc faz parte do Redalyc. Redalyc é um sistema de informação que também avalia a qualidade científica e editorial do conhecimento na região Ibero-Americana. Ele fornece indicadores bibliométricos sobre o impacto dos periódicos, dos autores e dos países incluídos na biblioteca de periódicos científicos eletrônicos. Redalyc tem se consolidado como um importante repositório de conhecimento com 550 revistas on-line e mais de 116 000 artigos em texto completo.
O objetivo do Redalyc é dar visibilidade à produção científica na região Ibero-Americana, para modificar a baixa representação de cientistas latino-americanos em bases de dados científicas.
Redalyc é um esforço de trabalho para o acesso aberto apoiado pela Universidad Autónoma del Estado de México, em colaboração com centenas de instituições de ensino e sistemas de informação. Usando o slogan: “La ciencia que no se ve no existe” (A ciência que não é vista não existe) Redalyc deu um grande passo na oferta de acesso à pesquisa acadêmica produzida na América Latina.
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Recomendação de filme: Orações para Bobby

"Orações para Bobby" mostra suicídio de jovem, que se joga em cima dos caminhões, após a mãe religiosa rejeitar homossexualidade e a desilusão com o primeiro namorado...
"Orações para Bobby" é um dos principais filmes de 2009 sobre o drama de ser gay na adolescência. Quem viu (homossexual ou hétero) costuma se emocionar e até chorar. Um jovem se suicida após se sentir rejeitado pela mãe religiosa. A morte provoca um terremoto na família conservadora, e a história fica mais interessante com os desdobramentos: os parentes ficam se remoendo de culpa até encontrarem um caminho mais digno de superar o trauma.
Baseada em fatos reais, a produção é inspirada no livro "Prayers for Bobby: A Mother's Coming to Terms with the Suicide of Her Gay Son", de Leroy Aarons, sem lançamento em português. O filme foi exibido apenas na TV norte-americana, no canal Lifetime, que pode ser considerado um canal para donas-de-casa.
Mas a internet tornou "Orações para Bobby" um fenômeno. Logo, gays e lésbicas do mundo inteiro baixaram o filme por meio de servidores de arquivo, como Torrent e Megaupload, traduziram legendas e logo se disseminaram blogs e comunidades em redes sociais, como o Orkut, onde com uma simples pesquisa dá para encontrar links para download do filme com legendas em português.
Este é o primeiro filme feito para TV no currículo da atriz Sigourney Weaver, 60, famosa nos anos 80 devido aos filmes da série Alien. Ela interpreta Mary Griffith, a mãe de Bobby, que tenta "curar" o filho gay com a Bíblia e a terapia. Devido a esse papel, ela foi indicada para o Emmy 2009, Oscar da TV, na categoria melhor atriz, mas perdeu para Jessica Lange.
SÉRGIO RIPARDO
colaboração para a Livraria da Folha
Quem quiser eu tenho o filme, é só pedir.
domingo, 17 de abril de 2011
A economia da infância
14/03/2007 - 12:36
Edição nº 460
O economista Flavio Cunha fala sobre os investimentos na educação antes dos seis anos
Ana Aranha
Dar acesso a creches e pré-escolas não é só questão de cumprir os direitos das crianças com menos de seis anos. É também investimento estratégico para o governo. Foi essa uma das conclusões de estudo feito pelo economista Flavio Cunha em parceria com o prêmio Nobel em Economia James Heckman e outros pesquisadores da Universidade de Chicago. Eles compararam a trajetória de crianças que receberam educação entre os 4 e os 6 anos com outras que só entraram na escola na 1a série.
ÉPOCA - Na vida adulta, qual a diferença entre criança que passaram e não passaram pelos programas pré-escolares?
Flavio Cunha - Nos Estados Unidos, programas de primeira infância como o Programa Pré-escolar Perry aumentaram em quatro vezes o número de crianças que quando adultos tiveram renda superior a dois mil dólares mensais. Reduziram em 50% o número de crianças que utilizaram o seguro desemprego, o que é uma boa medida para o grau de empregabilidade dessas crianças quando adultas. Para os garotos, o efeito mais importante está na redução da participação em atividades ligadas ao crime. Um programa similar encontrou efeitos na redução do problema de reprovação escolar em quase 50% e quase triplicou o número de crianças que freqüentaram a universidade.
ÉPOCA - O que é o fator de “retorno do investimento em capital humano”, de que o senhor fala na pesquisa?
Flavio Cunha -É o mesmo conceito do retorno do investimento numa ação da Petrobrás. Você compra ações e a empresa utiliza os seus recursos para fazer investimentos. Por exemplo, encontrar novos campos de produção. Alguns períodos após o investimento você recebe dividendos. Assim, se investir cem reais e receber cinco reais de dividendos, você tem retorno de cinco reais e, portanto, uma taxa de 5%. O mesmo conceito se aplica ao capital humano. Para se tornar jornalista, você provavelmente cursou uma faculdade. Este é o investimento que você fez. O retorno deste investimento é que você tem um salário maior do que aquele que você teria se não tivesse cursado uma faculdade. Estudos nos EUA mostram que cada ano de estudo aumenta o salário em torno de 10%. Para o Brasil existe evidência que a taxa de retorno é ainda mais elevada.
ÉPOCA - Quer dizer que, quanto antes se investe no aluno, maior o retorno de capital humano?
Flavio Cunha -Os investimentos na mais tenra idade apresentam retornos elevados pois produzem habilidades que são muito básicas, e que servem para a aquisição de habilidades mais avançadas. Por exemplo, os seres humanos não nascem com a visão plenamente desenvolvida. De fato, nós “aprendemos” a enxergar rapidamente nos primeiros meses de vida. Por causa disso, crianças que venham a nascer com catarata devem ser tratadas imediatamente, pois do contrário elas ficarão cegas para o resto da vida. Uma das vantagens de conseguir ver bem é que se torna mais fácil aprender a ler e escrever. Tanto a leitura quanto a escrita são habilidades muito importantes nos dias modernos. As usamos para nos divertir, para trabalhar, para aprender.
Assim como no caso da visão, é muito mais fácil alfabetizar uma criança do que um adulto. Nós estamos aprendendo essa lição agora vendo os resultados do Programa Brasil Alfabetizado. Portanto, as habilidades produzidas na mais tenra idade tem um retorno elevado, pois elas são utilizadas para adquirir outras habilidades. Assim, investimentos que ocorrem cedo geram um ciclo virtuoso onde habilidade produz habilidade.
ÉPOCA - Na sua avaliação quais deveriam ser as prioridades de investimento para educação infantil no Brasil?
Flavio Cunha -O governo atua no processo de educação principalmente através das escolas. Se conseguirmos melhorar a qualidade das escolas melhoraremos a qualidade da educação no Brasil. Isso é o óbvio. O que é menos óbvio é como melhorar a qualidade da escola. Para responder essa pergunta temos que desenvolver uma disciplina de propor experimentos juntamente com coleta e análise de dados que levem a compreensão do problema. Necessitamos dados. Não existe outra maneira de entender e resolver o problema.
A evidência mostra que não necessariamente gastar mais gera automaticamente melhorias. Por exemplo, podemos colocar computadores em todas as escolas. Isso aumenta o gasto, mas o impacto sobre a qualidade depende de como ele será usado. Se o computador ficar desligado porque o professor não sabe como utilizá-lo estaremos apenas desperdiçando recursos. A questão que temos que responder é: quais são os tipos de práticas educacionais que tornam o processo educacional mais eficiente?
Ao invés de gastar milhões poderíamos começar comprando computadores para 100 escolas e fazer experimentos. Por exemplo, 33 usariam para o professor explicar a matéria. Outras 33 para o aluno fazer exercícios, corrigidos em tempo real. Nas outras 34 os computadores seriam usados apenas na administração. Depois, mensuramos os ganhos em qualidade em cada uma dessas escolas e comparamos qual estratégia foi mais eficiente. Com esse conhecimento podemos prosseguir com a política e distribuir computadores juntamente com um plano de utilização.
ÉPOCA - Qual o papel da iniciativa privada? Quais responsabilidades as empresas poderiam assumir para ajudar a dar a conta do problema?
Flavio Cunha -Eu acho que a iniciativa privada tem um interesse estratégico nessa questão, pois quanto mais educada for a mão-de-obra brasileira, mais produtivas serão as nossas empresas e isso as permitirá competir mais fortemente no mercado global. As empresas podem participar da solução do problema financiando diretamente a pesquisa em programas de primeira infância no Brasil. Alternativamente, elas podem financiar experimentos para tentar melhorar a qualidade do ensino fundamental e médio. Essa tradição de apoio e subsídio a pesquisa já existe nos EUA, mas no Brasil é muito limitada.
ÉPOCA - Os programas de educação na primeira-infância que o senhor analisou não investem apenas nas escolas. Quais são as outras frentes de investimento determinantes?
Flavio Cunha -Nós analisamos diferentes tipos de programas de primeira infância. Nos Estados Unidos tais programas melhoraram a proficiência das crianças em matemática e inglês, reduziram a reprovação escolar e aumentaram o número de alunos com o segundo grau completo. Talvez o programa de primeira infância mais famoso seja o Programa Pré-escolar Perry. Ele oferece aulas para as crianças e também para as mães. Enquanto as crianças aprendem noções básicas de aritmética e inglês, as mães adquirem conhecimentos que serão importantes para exercer bem o seu papel. Eu acredito que aí está o segredo do sucesso do Perry: não somente o programa começa quando as crianças ainda são muito jovens, mas também faz com que as mães estejam mais preparadas e amparadas para educar seus filhos. O treinameno da mãe ao longo do processo é a diferença fundamental entre programas de primeira infância e creches. Para o caso brasileiro, eu não acredito que somente o aumento da oferta de vagas em creches venha a resolver o problema.
ÉPOCA - Na sua avaliação, preparar os pais é mais, menos ou tão importante quanto ter uma boa rede de creches e pré-escolas?
Flavio Cunha -A educação não é uma obrigação exclusiva das escolas e dos professores. O processo educacional começa em casa. Por exemplo, aos três anos, os filhos dos pais que têm diploma universitário possuem um vocabulário três vezes maior do que os filhos dos pais que não completaram o segundo grau. Isso é medido antes do começo da escola. Mas não devemos encarar a questão da educação como melhorar isso ou aquilo. É importante melhorar ambos. Pais e professores desempenham papéis complementares na educação das crianças.
domingo, 3 de abril de 2011
Estresse pode afetar pessoas de qualquer idade
"Na verdade, podemos sofrer estresse já dentro do útero. O organismo de uma grávida exposta a eventos estressantes produz determinadas substâncias que afetam o cérebro do feto e modificam sua estrutura, influenciando o neurodesenvolvimento", explica o psiquiatra infantil Arthur Kummer, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Uma pesquisa do Centro Psicológico do Controle do Estresse mostrou que 32% das crianças brasileiras sofrem com o problema. Assim como na vida adulta, na infância os agentes estressores são igualmente diversos. Não existe uma única causa. "Alguns exemplos incluem abusos e negligência (como passar fome ou frio), afastamento prolongado dos pais, cobranças excessivas, sobrecarga de atividades, bullying, conflitos na família, traumas, perda de entes queridos, entre outros", destaca o médico.
Um cotidiano repleto de atividades também pode ser estressante. "Uma criança ou adolescente sobrecarregado, sem tempo para brincar ou dormir, pode sofrer com o estresse. A cobrança excessiva também pode ser prejudicial", ressalta o especialista.
Estresse agudo x estresse crônico
O psiquiatra divide os eventos estressores entre estresse agudo e o estresse crônico. O primeiro ocorre apenas ocasionalmente, mas costumam ser de grande intensidade. O segundo, que são estressores de menor magnitude, são quase cotidianos. "A morte de um ente querido ou ser vítima de um assalto seriam então eventos agudos, enquanto o bullying e a sobrecarga de atividades são geralmente estresses crônicos", exemplifica. A diferenciação é importante por conta do ponto de vista biológico, do impacto que cada um dos tipos tem no organismo.
Mas, como saber se uma criança está estressada? A mudança no comportamento é a resposta. "Mas não há uma forma única de reagir ao estresse. Muitas crianças reagem internalizando o problema (ficando deprimida, ansiosa, inibida) ou o externalizando (ficando irritada, agitada, birrenta, agressiva", pondera. O importante é ficar atenta a transformações significativas e constantes de humor dos pequenos.
- Respirar bem acalma os pensamentos
- Exercícios diminuem a tensão
- Acorde mais cedo e relaxe
Tratamento e prevenção
A partir do momento que se detecta o estresse na criança é preciso reverter o quadro. No caso de um cotidiano sobrecarregado, a diminuição das atividades pode resolver. Segundo Kummer, há ainda situações maiores e que exigem políticas públicas de alta complexidade. "Imagine casos de crianças que vivem em áreas de risco, assediadas pelo tráfico, no meio da guerra, por exemplo. Se ela não melhora após o afastamento do estressor, pode ser preciso uma ajuda especializada com psicólogos e psiquiatras", diz.
Reflexos no futuro
O estresse em determinados períodos do desenvolvimento pode afetar a estrutura e a função de certos órgãos que podem persistir por toda a vida. "O impacto não é somente psicológico, tornando adolescentes e adultos mais sensíveis a estresse e a transtornos mentais, mas também físico. Ele nos deixa mais suscetíveis a doenças metabólicas, cardíacas e osteomusculares", conclui Kummer.
fonte: http://www.minhavida.com.br/conteudo/12405-Saiba-como-o-estresse-pode-afetar-as-criancas.htm
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